Entre em contato

Plano de Saúde pode negar a lente indicada na cirurgia de catarata?

Plano de Saúde pode negar a lente indicada na cirurgia de catarata?

Plano de saúde lente intraocular catarata é uma questão que gera dúvidas entre pacientes e familiares, especialmente quando o oftalmologista indica a cirurgia e a operadora se recusa a custear a lente prescrita.

Além da preocupação com a recuperação da visão, a negativa pode trazer insegurança e despesas inesperadas, principalmente para pessoas idosas que dependem do tratamento para realizar suas atividades diárias.

A lente intraocular é um componente fundamental da cirurgia de catarata, pois substitui o cristalino que perdeu sua transparência.

Por isso, quando o plano de saúde autoriza o procedimento, mas nega o material necessário à sua realização, é importante compreender os motivos da recusa e verificar se ela está de acordo com as regras de cobertura.

Como Advogados Especialistas em Cobertura Negada Plano de Saúde, a Paschoalin Berger, explica tudo sobre Plano de Saúde pode negar a lente indicada na cirurgia de catarata.

O plano de saúde é obrigado a cobrir a lente intraocular na cirurgia de catarata?

Em regra, quando o contrato oferece cobertura para a cirurgia de catarata, a operadora também deve custear a lente intraocular necessária à realização do procedimento, observadas as particularidades do contrato e da situação clínica.

A catarata é uma condição em que o cristalino, estrutura natural responsável por ajudar a focalizar as imagens, perde sua transparência. Na cirurgia, esse cristalino comprometido é removido e substituído por uma lente intraocular artificial.

Portanto, a lente não é simplesmente um acessório opcional da cirurgia. Ela desempenha uma função fundamental no procedimento.

O STJ já reconheceu a abusividade de cláusulas contratuais que excluem da cobertura as lentes intraoculares inerentes à cirurgia de catarata realizada sob a cobertura do plano de saúde. Esse entendimento está presente, entre outros julgados, no Agravo Interno no Recurso Especial nº 2.057.680/SP.

Além disso, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estabelece a cobertura assistencial obrigatória conforme o tipo de plano contratado e a segmentação assistencial aplicável. A cirurgia de catarata com lente intraocular integra a cobertura prevista para os planos sujeitos às regras pertinentes.

Assim, se a operadora autoriza a cirurgia, mas se recusa a fornecer a lente indispensável à sua realização, a negativa pode ser considerada abusiva.

É importante, contudo, verificar se o caso envolve a lente necessária ao procedimento ou uma discussão específica sobre determinado modelo, tecnologia ou característica adicional.

O plano de saúde pode negar a lente intraocular indicada pelo oftalmologista?

A resposta depende das circunstâncias do caso, mas a operadora não pode simplesmente desconsiderar a prescrição médica e transferir ao paciente os custos de um material essencial à cirurgia coberta.

O oftalmologista é o profissional responsável por avaliar as condições clínicas do paciente e indicar a lente mais adequada, considerando fatores como as características do olho, o grau de comprometimento visual e as necessidades individuais.

Quando existe uma indicação médica fundamentada, a operadora deve analisar a solicitação de acordo com as regras de cobertura aplicáveis, sem impor restrições contratuais abusivas.

Por exemplo, imagine uma pessoa idosa que precisa realizar uma cirurgia de catarata. Após os exames, o oftalmologista indica uma lente intraocular específica, mas o plano de saúde informa que somente autorizará outro material ou exige que o paciente pague a diferença.

Nessa situação, é necessário investigar por que a lente prescrita foi recusada, se o material indicado é essencial para o tratamento e se a alternativa oferecida é clinicamente adequada.

A simples existência de uma opção mais barata não resolve, por si só, a questão da cobertura. Da mesma forma, a indicação de um modelo específico não significa que qualquer lente escolhida pelo paciente terá cobertura automática.

A análise deve considerar a justificativa médica, as características dos materiais e os fundamentos utilizados pela operadora para negar a solicitação.

Qual é a diferença entre lente intraocular comum, multifocal e tórica?

Uma das dúvidas mais frequentes sobre o plano de saúde e a lente intraocular para catarata envolve os diferentes modelos disponíveis.

Essas lentes apresentam características distintas, e a escolha depende da avaliação oftalmológica.

Lente intraocular monofocal

A lente monofocal possui um foco principal. Geralmente, é planejada para proporcionar boa visão em determinada distância, sendo possível que o paciente precise utilizar óculos para outras atividades.

É uma opção frequentemente utilizada na cirurgia de catarata.

Lente intraocular multifocal

A lente multifocal é projetada para oferecer visão em mais de uma distância, podendo reduzir a dependência de óculos em determinadas atividades.

Entretanto, sua indicação depende das condições oculares, das necessidades do paciente e da avaliação médica. Ela não é necessariamente a melhor opção para todas as pessoas.

Lente intraocular tórica

A lente tórica é desenvolvida para corrigir o astigmatismo associado ao quadro do paciente, quando há indicação para essa finalidade.

A escolha pode depender do grau de astigmatismo, das características da córnea e de outros fatores identificados durante a avaliação oftalmológica.

O plano pode custear uma lente monofocal e negar uma multifocal ou tórica?

Essa questão exige atenção.

A operadora pode apresentar argumentos relacionados às características do modelo solicitado, às condições contratuais e às regras de cobertura. Contudo, não basta afirmar genericamente que a lente indicada é mais cara ou que existe outro modelo disponível.

É necessário avaliar se a lente prescrita é clinicamente necessária, se há alternativa efetivamente adequada e quais são os fundamentos jurídicos e contratuais da recusa.

A jurisprudência do STJ contém decisões que mantiveram o dever de custeio de lentes intraoculares indicadas para cirurgias de catarata, inclusive em controvérsias envolvendo materiais específicos. Ainda assim, o resultado depende das circunstâncias concretas e não representa uma obrigação automática de cobertura de todos os modelos existentes no mercado.

Por isso, antes de aceitar a substituição ou assumir o pagamento particular, é recomendável solicitar esclarecimentos ao médico e à operadora.

O plano de saúde pode alegar que a lente indicada é importada?

A origem nacional ou estrangeira da lente pode aparecer como justificativa para a negativa de cobertura.

Entretanto, o simples fato de um material ser importado não significa, por si só, que a operadora esteja autorizada a recusar seu custeio.

Em decisão envolvendo uma lente intraocular indicada para cirurgia de catarata, o STJ analisou uma controvérsia na qual o tribunal de origem havia reconhecido o dever de cobertura do material, considerando, entre outros aspectos, sua indicação médica e o registro sanitário. A decisão também destacou que a revisão das circunstâncias específicas do caso exigiria o reexame de fatos e provas.

Isso demonstra a importância de analisar a justificativa apresentada pela operadora, em vez de presumir que toda lente importada está excluída da cobertura.

É recomendável verificar o registro do produto na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), quando aplicável, a indicação médica e a existência de eventuais limitações contratuais válidas.

Também é importante distinguir a origem do material da necessidade clínica de determinada tecnologia. São questões diferentes e devem ser avaliadas separadamente.

O que fazer quando o plano de saúde nega a lente intraocular?

Ao receber uma negativa, o paciente ou seu familiar pode adotar algumas medidas para compreender a situação e avaliar as alternativas disponíveis.

Solicite a negativa por escrito

Peça à operadora uma resposta formal, com a justificativa específica para a recusa.

Esse documento permite identificar se a negativa está relacionada ao contrato, ao modelo da lente, à ausência de determinado requisito ou a outro fundamento.

Guarde também os protocolos de atendimento, e-mails e mensagens trocadas com o plano.

Peça ao oftalmologista um relatório médico detalhado

O relatório deve explicar a necessidade da cirurgia e, quando pertinente, as razões para a escolha da lente intraocular indicada.

É importante que o profissional esclareça as características clínicas relevantes, a finalidade do material e os possíveis impactos da substituição por outra opção.

Quanto mais objetiva e fundamentada for a justificativa médica, melhor será a compreensão da controvérsia.

Reúna os documentos da solicitação

Organize os documentos que possam ajudar na análise da cobertura, como:

  • Relatório e prescrição do oftalmologista.
  • Exames relacionados à catarata e à escolha da lente.
  • Pedido de autorização da cirurgia.
  • Resposta formal do plano de saúde.
  • Contrato ou documentos que identifiquem as condições de cobertura.
  • Protocolos de atendimento e eventuais orçamentos do material.

Se o paciente já tiver pago pela lente para não adiar o procedimento, também é importante guardar notas fiscais, recibos e comprovantes de pagamento.

Registre uma reclamação na operadora e, se necessário, na ANS

Depois de compreender o motivo da negativa, o beneficiário pode solicitar uma reanálise diretamente à operadora.

Se o problema não for resolvido, também é possível avaliar o registro de reclamação na ANS, observados os procedimentos aplicáveis.

A reclamação administrativa pode contribuir para esclarecer a cobertura e documentar a tentativa de solução, embora não garanta, por si só, a autorização do material.

Avalie as medidas judiciais cabíveis

Quando a recusa aparenta contrariar as regras de cobertura ou impõe uma restrição abusiva, pode ser possível buscar a proteção dos direitos do paciente pela via judicial.

Dependendo da urgência, dos documentos e dos requisitos legais, pode ser avaliada a possibilidade de solicitar uma tutela de urgência para viabilizar o tratamento.

A concessão de uma medida urgente depende da análise judicial do caso concreto. Por isso, é importante reunir a prescrição médica, a negativa formal e os demais documentos relevantes.

É possível pedir indenização quando o plano nega a lente da cirurgia de catarata?

Em determinadas situações, sim. No entanto, a indenização por danos morais não é automática em toda negativa de cobertura.

É necessário analisar as circunstâncias da recusa e suas consequências para o paciente.

Uma negativa indevida que cause atraso relevante no tratamento, agravamento do quadro, sofrimento significativo ou outros prejuízos pode justificar a avaliação de um pedido de indenização, conforme as provas e os requisitos jurídicos aplicáveis.

O STJ reconhece, em sua jurisprudência, que a recusa indevida de cobertura pode gerar responsabilidade civil quando presentes os pressupostos necessários. Isso não significa que toda divergência contratual resulte necessariamente em dano moral indenizável.

Além disso, se o paciente precisou pagar pela lente que deveria ser custeada pela operadora, pode ser pertinente avaliar a possibilidade de ressarcimento das despesas, considerando a cobertura contratual, a irregularidade da negativa e os documentos disponíveis.

Cada pedido deve ser analisado individualmente, sem garantia antecipada de resultado.

A idade do paciente interfere no direito à cobertura da lente intraocular?

Não. A idade avançada, por si só, não elimina o direito do beneficiário à cobertura contratada.

A catarata é uma condição frequente entre pessoas idosas, mas a análise da cobertura deve considerar as condições do contrato, as regras assistenciais aplicáveis e as necessidades clínicas do paciente.

Se o procedimento estiver coberto, a operadora não pode simplesmente transferir ao beneficiário os custos de um material essencial sob a justificativa de que ele é idoso ou de que o tratamento é próprio dessa faixa etária.

Ao mesmo tempo, a idade não torna automaticamente obrigatória a cobertura de qualquer tecnologia disponível. A indicação médica e as particularidades do material continuam sendo relevantes.

Por isso, familiares que auxiliam pais, avós ou outros parentes na organização do tratamento devem guardar os documentos médicos e solicitar esclarecimentos formais sempre que houver uma recusa.

O que diz a Justiça sobre a negativa de lente intraocular na cirurgia de catarata?

O entendimento do Superior Tribunal de Justiça é especialmente relevante para situações em que o plano de saúde tenta excluir da cobertura a lente intraocular necessária à cirurgia de catarata.

No Agravo Interno no Recurso Especial nº 2.057.680/SP, o STJ manteve o entendimento de que é indevida a exclusão contratual das lentes intraoculares inerentes ao procedimento cirúrgico coberto.

O tribunal também possui precedentes que tratam do custeio de materiais cirúrgicos essenciais e da impossibilidade de impor restrições abusivas que comprometam a realização do tratamento contratado.

Esses precedentes são importantes porque demonstram que a cobertura da cirurgia não pode ser interpretada de maneira a tornar inviável sua própria realização.

Contudo, é necessário diferenciar a lente indispensável ao procedimento de uma controvérsia específica sobre o modelo escolhido. A análise da prescrição, do contrato e das circunstâncias clínicas continua fundamental, especialmente quando o plano alega que existe uma alternativa coberta.

Conclusão

Se o plano de saúde negar a lente intraocular indicada para a cirurgia de catarata, o paciente não precisa aceitar imediatamente a recusa ou assumir despesas particulares sem compreender seus fundamentos.

A cobertura da lente necessária ao procedimento encontra respaldo na jurisprudência do STJ, que reconhece a abusividade de exclusões contratuais que impeçam o custeio de materiais essenciais à cirurgia coberta.

Entretanto, quando a controvérsia envolve uma lente multifocal, tórica, importada ou com características específicas, é necessário avaliar a indicação médica, as alternativas disponíveis e as regras aplicáveis ao contrato.

O primeiro passo é obter a negativa por escrito e reunir a documentação médica. Com esses elementos, torna-se possível avaliar se a recusa tem fundamento legítimo ou se existem razões para contestá-la administrativamente ou judicialmente.

Se a cirurgia de catarata foi indicada e o plano de saúde negou a lente prescrita, compreender os motivos da recusa é essencial para avaliar os direitos do paciente e as medidas que podem ser adotadas para buscar a cobertura do tratamento.

Leia também:

Plano de Saúde é obrigado a fornecer Canabidiol?

Plano de Saúde pode negar uma nova cirurgia necessária após complicação da primeira?

Plano de Saúde pode obrigar o paciente a usar um medicamento mais barato que o prescrito?

Estamos aqui para ajudar.

Últimos Posts

Atendimento especializado

Entre em contato conosco

Precisa de ajuda? Fale com um especialista e receba orientação sobre o seu caso.

Paschoalin e Berger Advogados

Profissionais especializados em diversas áreas do Direito

Promover soluções jurídicas eficientes, com base em ética, transparência e compromisso com os interesses reais de nossos clientes.

Com anos de experiência, construímos uma trajetória marcada pela confiança e pela busca contínua por excelência no atendimento jurídico.

A Paschoalin Berger advogados acredita e se compromete com os valores da advocacia resolutiva, tendo por base análises objetivas de probabilidade de êxito, identificação dos reais interesses.

Nível de Satisfação
100%
Guilherme Paschoalin

15 Anos de Experiência

Fale por WhatsApp
Clique para Ligar Fale por WhatsApp