Como funciona a Defesa Criminal do médico?

Como funciona a Defesa Criminal do médico?

A existência de uma investigação ou acusação não elimina a presunção de inocência nem autoriza conclusões precipitadas sobre a responsabilidade do profissional.

É justamente nesse momento que a defesa criminal assume papel fundamental.

O médico precisa compreender quais são seus direitos, o que pode ou não fazer durante uma investigação, como funciona o inquérito policial, quando poderá ser chamado para prestar esclarecimentos, quais documentos podem ser relevantes para a defesa e de que maneira sua conduta profissional será analisada pelas autoridades.

Pensando nisso, preparamos esse post.

Como Advogados Especialistas em Processo Criminal Médico, nós explicamos tudo sobre Como funciona a Defesa Criminal do médico.

Dá só uma olhada:

  1. 1º Passo: Busque o auxílio de Advogados Especialistas em Processo Criminal Médico.
  2. 2º Passo: Analisar o Inquérito Policial.
  3. 3º Passo: Preservar todos os documentos médicos.
  4. 4º Passo: Apresentar resposta à acusação se o Ministério Público oferecer denúncia.

Por isso, se você é médico e recebeu uma intimação, foi informado de que existe uma investigação contra você ou tomou conhecimento de uma possível acusação criminal relacionada à sua atuação profissional, o primeiro ponto que precisa compreender é: Não tome decisões precipitadas.

Então, vamos ao que interessa?

 

O que é a defesa criminal do médico?

A defesa criminal do médico corresponde ao conjunto de medidas jurídicas adotadas para proteger o profissional que esteja sendo investigado, acusado ou processado pela suposta prática de um crime relacionado à sua atuação médica.

Essa defesa pode começar ainda na fase de investigação, antes mesmo da existência de uma ação penal.

O médico pode tomar conhecimento de que está sendo investigado por diferentes meios.

Pode receber uma intimação para comparecer à delegacia, ser chamado para prestar esclarecimentos, ser mencionado em uma investigação instaurada após uma denúncia ou tomar conhecimento de uma apuração decorrente de um atendimento que resultou em lesão ou morte.

Em qualquer dessas situações, é importante não agir por impulso.

A primeira providência deve ser procurar Advogados Especialistas em Processo Criminal Médico para analisar o caso.

 
1º Passo: Busque o auxílio de Advogados Especialistas em Processo Criminal Médico.

Se você é médico e descobriu que está sendo investigado, recebeu uma intimação para prestar esclarecimentos ou soube que um paciente ou familiar pretende responsabilizá-lo criminalmente, o primeiro passo não deve ser procurar uma solução sozinho.

O primeiro passo deve ser buscar imediatamente a orientação de Advogados Especialistas em Processo Criminal Médico.

E existe uma razão muito importante para isso.

Por que o Advogado Especialista em Processo Criminal Médico deve ser o primeiro passo na defesa criminal do médico?

Imagine a seguinte situação.

Você é médico, realiza um atendimento e, algum tempo depois, recebe uma intimação para comparecer à delegacia.

Você olha para o documento e pensa:

  • "Eu não fiz nada de errado. Vou simplesmente comparecer e explicar o que aconteceu."

Essa reação é compreensível.

Mas pode não ser a melhor estratégia.

O problema não está necessariamente no fato de você querer explicar o que aconteceu.

O problema está em prestar declarações sem antes saber exatamente o que está sendo investigado, quais elementos já existem contra você e quais são os seus direitos naquele procedimento.

A investigação criminal possui uma lógica própria.

O que para o médico pode parecer uma explicação simples pode adquirir outro significado quando inserido em um procedimento investigatório.

Uma informação incompleta, uma resposta dada com base em memória imprecisa, uma afirmação técnica sem documentação ou uma tentativa de explicar determinado acontecimento sem conhecer integralmente os documentos existentes podem gerar contradições que posteriormente precisarão ser enfrentadas pela defesa.

É justamente por isso que o advogado deve participar desde o início.

O Advogado Especialista em Processo Criminal Médico não serve apenas para defender o médico depois que o processo começa

Esse é um erro muito comum.

Muitos profissionais imaginam que precisam procurar um Advogado Especialista em Processo Criminal Médico somente quando recebem uma denúncia criminal ou quando são formalmente processados.

Não é assim.

A defesa pode e deve começar durante a fase de investigação.

Em muitos casos, o momento mais estratégico da defesa ocorre justamente antes de uma eventual ação penal.

Isso porque, durante a investigação, estão sendo reunidos elementos que poderão influenciar a decisão sobre o prosseguimento ou não da persecução penal.

O advogado poderá analisar o que já foi produzido, identificar pontos relevantes e orientar o médico sobre como agir diante daquela situação.

A Súmula Vinculante 14 do STF assegura ao defensor acesso aos elementos de prova já documentados que sejam pertinentes ao exercício da defesa, ressalvadas, em termos gerais, diligências que ainda estejam em andamento e não tenham sido documentadas.

Portanto, a atuação do advogado não começa necessariamente na audiência.

Ela pode começar na investigação.

Como o Advogado Especialista em Processo Criminal Médico pode ajudar o médico desde o início da investigação?

O auxílio de Advogados Especialistas em Processo Criminal Médico pode envolver diversas etapas.

O Advogado Especialista em Processo Criminal Médico irá analisar a intimação recebida pelo médico

O primeiro ponto é entender exatamente qual documento o médico recebeu.

Uma intimação pode trazer informações importantes sobre:

  • a autoridade responsável;
  • o procedimento;
  • a data do comparecimento;
  • o local;
  • a condição em que o profissional foi chamado;
  • o assunto relacionado ao atendimento;
  • eventual solicitação de documentos;
  • eventual necessidade de prestar esclarecimentos.

O médico não deve simplesmente guardar o documento e comparecer sozinho.

A intimação deve ser imediatamente encaminhada ao advogado.

A partir dela, será possível começar a compreender o contexto jurídico da situação.

O Advogado Especialista em Processo Criminal Médico irá identificar o que está sendo investigado

Depois de analisar a intimação, o Advogado Especialista em Processo Criminal Médico deverá buscar compreender qual é efetivamente o objeto da investigação.

Pode existir uma alegação relacionada a:

  • suposta negligência;
  • suposta imprudência;
  • suposta imperícia;
  • lesão corporal;
  • morte do paciente;
  • omissão de atendimento;
  • diagnóstico;
  • tratamento;
  • procedimento cirúrgico;
  • prescrição;
  • acompanhamento clínico;
  • atendimento de emergência;
  • complicação de procedimento;
  • suposta falha na assistência médica.

Cada situação exige uma análise diferente.

Não existe uma "defesa criminal padrão" que possa ser aplicada indistintamente a todos os médicos.

O Advogado Especialista em Processo Criminal Médico irá analisar os elementos já existentes no procedimento

Essa é uma das razões pelas quais a atuação precoce é tão importante.

O Advogado Especialista em Processo Criminal Médico poderá buscar acesso aos elementos documentados que sejam pertinentes à defesa e analisar o que efetivamente consta no procedimento.

Isso permite descobrir se já existem:

  • depoimentos;
  • documentos;
  • prontuários;
  • laudos;
  • exames;
  • relatórios;
  • fotografias;
  • registros;
  • declarações de familiares;
  • informações fornecidas por outros profissionais;
  • conclusões preliminares.

Essa análise muda completamente a forma de preparar a defesa.

O médico deixa de trabalhar apenas com aquilo que lembra e passa a compreender qual é o conteúdo objetivo da investigação.

O Advogado Especialista em Processo Criminal Médico irá orientar o médico sobre seus direitos

O médico precisa saber que estar sendo investigado não significa ser culpado.

Também precisa conhecer seus direitos durante a investigação.

Entre eles está o direito à defesa técnica e, conforme a situação, o direito de permanecer em silêncio e de não produzir prova contra si mesmo.

Mas existe uma questão importante:

  • ter o direito ao silêncio não significa que o médico necessariamente deverá permanecer em silêncio.

Essa é uma decisão estratégica.

Em determinadas situações, prestar esclarecimentos pode ser interessante para a defesa.

Em outras, pode ser recomendável exercer o direito ao silêncio até que a defesa tenha condições de analisar melhor os elementos existentes.

A escolha deve ser feita com orientação jurídica.

O Advogado Especialista em Processo Criminal Médico pode acompanhar o médico no depoimento?

Sim.

A presença do Advogado Especialista em Processo Criminal Médico é especialmente importante quando o médico será ouvido em uma investigação criminal.

Antes do depoimento, o Advogado Especialista em Processo Criminal Médico poderá conversar com o profissional e explicar:

  • qual é o objeto da investigação;
  • o que já consta no procedimento;
  • quais pontos precisam ser esclarecidos;
  • quais documentos devem ser considerados;
  • quais são os direitos do médico;
  • quais questões devem ser respondidas com cautela;
  • quais informações o médico efetivamente conhece;
  • quais informações ele não deve presumir.

Isso não significa preparar uma "história".

A função da defesa é orientar juridicamente o profissional para que ele possa exercer seus direitos de forma adequada.

Por que um Advogado Especialista em Processo Criminal Médico pode fazer diferença?

Uma investigação envolvendo um médico pode apresentar uma dificuldade que não existe em muitos outros processos criminais.

É necessário compreender a linguagem jurídica e a linguagem médica.

O Advogado precisa compreender, por exemplo, que uma complicação pode ser inerente ao procedimento.

Precisa compreender que determinados resultados podem ocorrer mesmo diante de uma conduta tecnicamente adequada.

Precisa entender que uma decisão médica deve ser analisada considerando as informações disponíveis no momento em que foi tomada.

E precisa diferenciar uma discussão sobre resultado de uma discussão sobre responsabilidade criminal.

Por isso, a experiência com Direito Médico pode ser particularmente relevante.

O Advogado precisa conseguir fazer a ponte entre:

  • o que aconteceu clinicamente e;
  • o que isso significa juridicamente.

 

Para Ilustrar

Imagine que um médico tenha atendido um paciente em situação de emergência.

O paciente apresentava quadro grave, recebeu atendimento, foram solicitados exames e adotadas medidas terapêuticas.

Apesar das providências tomadas, o paciente faleceu.

Posteriormente, a família procura a autoridade policial alegando que houve "erro médico".

O médico recebe uma intimação para comparecer à delegacia.

O que ele não deve fazer?

Não deve simplesmente comparecer sozinho e começar a explicar todo o atendimento baseado apenas naquilo que lembra.

O primeiro passo deve ser procurar um advogado.

O que o Advogado fará nesse exemplo?

Primeiramente, irá analisar a intimação.

Depois, buscará compreender o procedimento investigatório e os elementos já documentados aos quais a defesa tenha acesso.

Em seguida, conversará detalhadamente com o médico.

Será necessário reconstruir a história clínica:

  • quando o paciente chegou;
  • em qual estado;
  • quais sintomas apresentava;
  • quais exames foram solicitados;
  • quais resultados foram obtidos;
  • quais condutas foram adotadas;
  • quando cada decisão foi tomada;
  • quais profissionais participaram;
  • quais intercorrências ocorreram;
  • quais medidas foram adotadas;
  • qual foi o desfecho.

Depois, será necessário confrontar essa narrativa com a documentação disponível.

Somente então será possível começar a identificar a estratégia defensiva.

Talvez exista uma complicação conhecida.

Talvez o paciente já tenha chegado em estado extremamente grave.

Talvez o resultado tenha ocorrido por causa diversa.

Talvez não exista nexo causal entre a conduta atribuída ao médico e o resultado.

Talvez a documentação demonstre que as medidas adequadas foram adotadas.

Ou talvez exista algum ponto que precise ser tecnicamente esclarecido.

Sem analisar o caso, ninguém pode afirmar qual será a conclusão.

E é justamente por isso que o Advogado deve entrar em cena antes do depoimento.

A importância de agir rapidamente na defesa criminal do médico

Se você é médico e recebeu uma intimação relacionada à sua atuação profissional, não espere a situação se agravar para buscar orientação.

Procure um Advogado Especialista em Processo Criminal Médico que tenha conhecimento da dinâmica da defesa criminal e das particularidades do Direito Médico.

O objetivo não é apenas "defender o médico quando o processo começar".

É acompanhar o caso desde o início, compreender a acusação, analisar as provas, orientar o profissional e construir uma estratégia defensiva adequada às circunstâncias concretas.

Esse é apenas o primeiro passo.

 

 2º Passo: Analisar o Inquérito Policial.

O segundo passo da defesa criminal do médico é analisar cuidadosamente o inquérito policial, quando houver investigação formal instaurada.

Essa etapa é extremamente importante porque é no inquérito que podem estar reunidos os primeiros elementos utilizados para investigar o que aconteceu, quem participou dos fatos, qual conduta está sendo atribuída ao médico e se existem elementos que possam justificar o prosseguimento da persecução penal.

Para o médico, é fundamental compreender uma coisa desde o início: ser investigado em um inquérito policial não significa ser culpado.

O inquérito é uma etapa de investigação.

A finalidade é reunir elementos que permitam esclarecer os fatos e verificar se existem fundamentos para eventual responsabilização.

Vamos entender isso melhor?

O que é o inquérito policial?

O inquérito policial é um procedimento destinado à apuração de uma possível infração penal e de suas circunstâncias.

Na prática, pode ser instaurado quando existe uma notícia de que determinado fato possa configurar crime.

No contexto médico, isso pode acontecer, por exemplo, depois de:

  • óbito de paciente;
  • complicação grave;
  • alegação de erro médico;
  • denúncia apresentada por familiar;
  • comunicação realizada por instituição hospitalar;
  • notícia encaminhada às autoridades;
  • suspeita de omissão de atendimento;
  • alegação de lesão decorrente de procedimento;
  • questionamento sobre determinada conduta profissional.

É importante compreender que uma reclamação de paciente ou familiar não significa automaticamente que houve crime.

A investigação deverá justamente verificar o que ocorreu.

Por que analisar o inquérito policial é tão importante para o médico?

Imagine que você seja médico e tenha realizado um procedimento que apresentou uma complicação.

O paciente ou familiar, inconformado com o resultado, procura uma delegacia e afirma que houve "erro médico".

A autoridade policial começa a reunir documentos, ouvir pessoas e buscar informações.

Nesse momento, o médico pode pensar:

  • "Eu sei exatamente o que aconteceu. Basta explicar."

Mas não é tão simples.

A primeira pergunta que o advogado precisa fazer é:

  • O que exatamente está sendo investigado?

Depois:

  • O que já foi produzido contra o médico?

E também:

Existem documentos ou informações que favorecem a versão do profissional?

Sem responder a essas perguntas, não é possível construir uma defesa criminal adequada.

A análise do inquérito permite que o advogado deixe de trabalhar apenas com uma percepção subjetiva do caso e passe a trabalhar com os elementos concretos que foram efetivamente documentados na investigação.

O médico tem direito de conhecer o conteúdo do inquérito?

O direito de defesa deve ser respeitado também durante a investigação.

A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal consolidou, por meio da Súmula Vinculante 14, o direito do defensor de acessar os elementos de prova já documentados em procedimento investigatório que sejam relevantes para o exercício da defesa, ressalvadas as diligências ainda em andamento que não estejam documentadas.

Isso é extremamente relevante para o médico.

A defesa precisa saber, dentro dos limites legais, quais elementos já foram formalizados na investigação para poder avaliar a situação e definir sua estratégia.

É importante, entretanto, fazer uma distinção:

  • ter acesso aos elementos já documentados não significa necessariamente ter acesso irrestrito a toda e qualquer diligência investigativa que ainda esteja em andamento.

Existem limites relacionados à preservação de determinadas diligências enquanto ainda estiverem sendo realizadas.

Por isso, a análise deve ser feita pelo advogado responsável pelo caso.

O que o Advogado deve analisar no inquérito policial?

A análise do inquérito não deve ser superficial.

Não basta abrir o procedimento, procurar o nome do médico e verificar se existe alguma acusação.

É necessário analisar o conjunto dos elementos.

Qual é o fato que está sendo investigado?

O primeiro ponto é identificar exatamente qual fato originou a investigação.

É necessário compreender:

  • o que aconteceu;
  • quando aconteceu;
  • onde aconteceu;
  • quem estava envolvido;
  • qual atendimento está sendo questionado;
  • qual resultado ocorreu;
  • quem apresentou a notícia do fato.

Essa identificação permite delimitar o objeto da defesa.

Qual crime está sendo investigado?

Esse ponto é fundamental.

Uma investigação pode envolver diferentes hipóteses jurídicas.

Por exemplo, dependendo das circunstâncias concretas, pode existir apuração relacionada a:

  • lesão corporal;
  • homicídio culposo;
  • omissão de socorro;
  • falsidade documental;
  • outros delitos eventualmente relacionados ao caso.

Não se deve presumir que toda investigação envolvendo médico seja uma investigação por "erro médico".

O advogado precisa verificar qual é a imputação ou hipótese criminal efetivamente considerada pela autoridade.

Quem apresentou a acusação ou notícia do fato?

É importante verificar a origem da investigação.

Pode ter sido:

  • paciente;
  • familiar;
  • representante legal;
  • instituição;
  • autoridade pública;
  • outro profissional;
  • terceiro.

Também é importante analisar o que exatamente foi afirmado.

Uma acusação pode conter conclusões equivocadas, informações incompletas ou uma interpretação baseada apenas no resultado do atendimento.

A defesa precisa separar a narrativa apresentada daquilo que efetivamente pode ser demonstrado por provas.

Analisar o depoimento do paciente ou dos familiares

Se familiares ou outras pessoas foram ouvidos, o advogado deverá analisar cuidadosamente suas declarações.

É necessário identificar:

  • o que a pessoa efetivamente presenciou;
  • o que ela apenas ouviu de terceiros;
  • quais informações são baseadas em conhecimento pessoal;
  • se existem contradições;
  • se a pessoa possui conhecimento técnico para fazer determinada afirmação;
  • se houve interpretação equivocada de informações médicas.

Esse ponto pode ser especialmente relevante em investigações envolvendo suposto erro médico.

Um familiar pode afirmar que "o médico não fez nada", por exemplo.

Mas o prontuário pode demonstrar uma sequência de atendimentos, exames, prescrições e intervenções.

A defesa precisa confrontar a narrativa com os documentos.

Analisar o prontuário médico

O prontuário pode ser um dos documentos mais importantes em uma investigação envolvendo atuação médica.

Ele pode permitir a reconstrução da evolução clínica do paciente e das condutas adotadas.

O advogado deverá verificar, conforme o caso:

  • horário de entrada;
  • queixa principal;
  • sinais e sintomas;
  • antecedentes;
  • avaliação médica;
  • hipóteses diagnósticas;
  • exames solicitados;
  • resultados;
  • prescrições;
  • procedimentos;
  • evoluções;
  • intercorrências;
  • condutas adotadas;
  • encaminhamentos;
  • transferência;
  • alta;
  • registros de outros profissionais.

O objetivo é reconstruir a história do atendimento.

Analisar exames e documentos médicos

Além do prontuário, o advogado deve identificar os exames relevantes.

Podem ser importantes:

  • exames laboratoriais;
  • exames de imagem;
  • laudos;
  • relatórios;
  • exames anteriores;
  • avaliações de outros especialistas;
  • documentos de internação;
  • registros de alta;
  • documentos de transferência.

É necessário verificar se a acusação considerou todos esses elementos.

Às vezes, uma conclusão acusatória é baseada em apenas uma parte da documentação.

Uma análise completa pode revelar informações que não foram consideradas inicialmente.

Analisar os depoimentos de outros profissionais

O médico raramente atua completamente isolado.

Dependendo do ambiente, podem existir:

  • outros médicos;
  • enfermeiros;
  • técnicos;
  • anestesistas;
  • fisioterapeutas;
  • profissionais de laboratório;
  • profissionais de diagnóstico por imagem;
  • equipes administrativas;
  • profissionais de suporte.

Se essas pessoas foram ouvidas durante a investigação, seus depoimentos precisam ser analisados.

É necessário verificar se confirmam ou contradizem a narrativa apresentada.

Também é importante compreender qual era efetivamente a função de cada profissional.

Verificar quem efetivamente participou do atendimento

Esse é um ponto extremamente importante.

A defesa precisa identificar quais profissionais participaram de cada etapa.

Isso porque não se pode simplesmente atribuir ao médico toda e qualquer ocorrência relacionada a um atendimento hospitalar.

É necessário delimitar a atuação individual de cada profissional.

Perguntas importantes podem incluir:

  • Quem realizou a avaliação inicial?
  • Quem solicitou determinado exame?
  • Quem recebeu o resultado?
  • Quem realizou o procedimento?
  • Quem acompanhou o paciente?
  • Quem prescreveu?
  • Quem estava de plantão?
  • Quem tomou determinada decisão?

A responsabilidade criminal é pessoal.

Por isso, a investigação precisa individualizar a conduta atribuída ao médico.

Analisar os laudos periciais

Se houver perícia no inquérito, o laudo deverá ser cuidadosamente analisado.

Não basta verificar a conclusão final.

É necessário compreender como o perito chegou àquela conclusão.

O Advogado deverá avaliar, conforme o caso:

  • quais documentos foram analisados;
  • quais informações clínicas foram consideradas;
  • qual metodologia foi utilizada;
  • quais premissas foram adotadas;
  • se houve análise da cronologia;
  • se houve consideração das condições clínicas;
  • se foram consideradas complicações possíveis;
  • se houve análise das alternativas existentes;
  • se existe demonstração do nexo causal;
  • se a conclusão é compatível com os documentos.

O laudo pericial pode ser questionado?

A prova pericial não deve ser tratada como algo automaticamente incontestável.

Se existirem inconsistências, lacunas ou pontos que necessitem de esclarecimento, a defesa poderá avaliar as medidas processuais cabíveis.

Em casos médicos complexos, a análise técnica do conteúdo pericial pode ser decisiva.

Por isso, dependendo do caso, pode ser necessário contar também com apoio técnico especializado para compreender a questão médica apresentada no laudo.

Analisar se existe efetivamente nexo causal

Esse talvez seja um dos pontos mais importantes de toda a investigação.

A pergunta é:

  • A conduta atribuída ao médico efetivamente causou o resultado?

Imagine, por exemplo, um paciente com doença extremamente grave, que chega ao hospital em estado avançado e posteriormente falece.

O simples fato de o médico ter participado do atendimento não demonstra que sua conduta causou a morte.

É preciso investigar a relação entre a conduta e o resultado.

Podem existir:

  • evolução natural da doença;
  • complicações conhecidas;
  • condições preexistentes;
  • fatores independentes;
  • resposta individual ao tratamento;
  • fatos supervenientes;
  • atuação de terceiros;
  • outras circunstâncias clínicas.

O advogado deverá analisar esses elementos à luz das provas disponíveis.

Verificar se existe realmente culpa do médico

Em determinadas situações, a investigação pode apontar para uma suposta conduta culposa.

Nesse momento, é preciso analisar concretamente se houve:

  • negligência;
  • imprudência;
  • imperícia.

Não basta simplesmente utilizar essas expressões.

É necessário demonstrar qual foi a conduta específica atribuída ao médico.

Por exemplo:

Não basta afirmar:

  • "O médico foi negligente."

É necessário perguntar:

  • Qual ato ou omissão caracteriza essa suposta negligência?
  • Qual era a conduta que seria exigível?
  • O médico tinha condições de adotá-la?
  • Essa conduta era possível naquele momento?
  • O resultado era previsível?
  • Existe relação entre a suposta omissão e o resultado?

Essas perguntas ajudam a transformar uma acusação genérica em uma análise jurídica concreta.

Verificar se o médico foi corretamente individualizado na investigação

Esse ponto merece atenção especial.

Uma investigação não pode simplesmente atribuir ao médico todos os acontecimentos ocorridos durante determinado atendimento sem demonstrar sua participação específica.

É necessário identificar:

  • qual conduta foi praticada pelo médico;
  • quando ela ocorreu;
  • quais informações estavam disponíveis;
  • qual decisão foi tomada;
  • qual resultado teria sido provocado por aquela conduta.

Isso é especialmente importante em hospitais, clínicas e unidades de emergência onde diversos profissionais participam do atendimento.

Analisar a cronologia dos fatos

Uma das ferramentas mais importantes da defesa é construir uma linha do tempo.

Por exemplo:

  • 08h10: paciente chega ao hospital.
  • 08h20: realiza avaliação inicial.
  • 08h35: são solicitados exames.
  • 09h05: resultados disponíveis.
  • 09h15: médico adota determinada conduta.
  • 10h00: paciente apresenta intercorrência.
  • 10h05: equipe é acionada.
  • 10h10: novas medidas são adotadas.
  • 10h40: paciente é encaminhado para determinado setor.
  • 11h30: ocorre agravamento do quadro.

Essa cronologia pode demonstrar que determinadas decisões foram tomadas antes ou depois de determinados acontecimentos.

E isso pode ser essencial para avaliar a responsabilidade do médico.

Verificar se a acusação está analisando o atendimento com base no resultado

Esse é um dos principais riscos em casos de alegado erro médico.

Às vezes, o raciocínio utilizado é:

  • "O resultado foi ruim, portanto a conduta foi inadequada."

Mas essa conclusão precisa ser questionada.

A análise deve considerar o que era conhecido no momento em que a decisão foi tomada.

O médico não possui conhecimento do futuro.

Uma decisão deve ser analisada considerando as informações clínicas disponíveis naquele momento.

Por isso, a defesa precisa evitar uma análise retrospectiva simplista.

Analisar documentos que podem favorecer o médico

A defesa não deve procurar apenas aquilo que existe contra o profissional.

Também precisa identificar tudo aquilo que pode favorecê-lo.

Podem existir:

  • exames que demonstram a gravidade do quadro;
  • registros de atendimento;
  • documentos que demonstram determinada conduta;
  • protocolos;
  • registros de comunicação;
  • depoimentos favoráveis;
  • documentos que demonstram a participação de outros profissionais;
  • elementos que afastam o nexo causal.

Esses elementos precisam ser preservados e utilizados dentro da estratégia jurídica adequada.

Verificar se existem contradições no inquérito

As contradições podem ser relevantes.

Imagine que um familiar afirme que o médico não examinou o paciente.

Mas o prontuário registre uma avaliação detalhada.

Ou que uma testemunha afirme que determinado procedimento não foi realizado, enquanto existem registros documentais de sua realização.

Essas divergências precisam ser analisadas.

O advogado deverá verificar se são contradições relevantes, simples diferenças de percepção ou questões que podem ser esclarecidas por outros elementos.

O advogado deve analisar o inquérito inteiro, e não apenas a acusação

Esse é um ponto fundamental.

Uma defesa mal construída pode se concentrar exclusivamente naquilo que a pessoa que fez a denúncia afirmou.

Uma defesa profissional precisa olhar para o conjunto.

É necessário analisar:

  • o que foi alegado + o que foi documentado + o que foi periciado + o que foi testemunhado + o que realmente aconteceu.

É dessa comparação que surge uma estratégia defensiva consistente.

Para Ilustrar

Imagine que um médico tenha realizado uma cirurgia e o paciente tenha apresentado uma complicação grave posteriormente.

A família registra uma ocorrência policial afirmando que o profissional teria cometido erro durante o procedimento.

O inquérito é instaurado.

Inicialmente, a narrativa parece simples:

"Paciente sofreu complicação após a cirurgia. Houve erro médico."

Mas o Advogado começa a analisar os documentos.

No prontuário, verifica que:

  • a complicação era conhecida como possível risco do procedimento;
  • o paciente apresentava determinadas condições clínicas;
  • o termo de consentimento registrava determinados riscos;
  • o procedimento foi realizado conforme registrado;
  • houve acompanhamento pós-operatório;
  • quando surgiu a intercorrência, foram adotadas medidas;
  • outros profissionais participaram do atendimento.

O Advogado também analisa a perícia.

Percebe que o laudo não demonstra de maneira suficientemente clara que a conduta específica do médico causou o resultado.

Nesse cenário, a defesa passa a ter elementos concretos para questionar a imputação.

Perceba que isso somente foi possível porque o advogado não se limitou a ouvir a acusação.

Ele analisou o inquérito como um todo.

Por que o médico não deve analisar o próprio inquérito sozinho?

O médico pode até ter acesso a documentos e conhecer profundamente os fatos médicos.

Mas existe uma diferença entre conhecer o atendimento e compreender a relevância jurídica de cada elemento da investigação.

Um documento que parece irrelevante para o médico pode ser extremamente importante para a defesa.

Da mesma forma, uma frase que parece inofensiva pode ter significado jurídico diferente.

Além disso, o médico envolvido emocionalmente com o caso pode ter dificuldade para enxergar determinadas questões de maneira objetiva.

O Advogado Especialista em Processo Criminal Médico atua justamente para analisar o problema de forma técnica e estratégica.

 

O inquérito policial pode ser decisivo para a defesa do médico

O inquérito não deve ser visto apenas como uma etapa burocrática anterior ao processo.

Para o médico, ele pode representar o primeiro grande momento de análise da acusação.

É durante essa fase que a defesa poderá compreender a origem da investigação, examinar os documentos, verificar a existência de perícias, analisar depoimentos, reconstruir a cronologia do atendimento e identificar eventuais fragilidades da acusação.

Por isso, não espere o processo criminal começar para analisar o problema.

Quanto antes o advogado tiver acesso aos elementos já documentados e compreender a situação, mais cedo poderá começar a construir uma estratégia.

3° Passo: Preservar todos os documentos médicos.

O terceiro passo da defesa criminal do médico é preservar cuidadosamente todos os documentos relacionados ao atendimento que está sendo questionado.

Essa etapa é fundamental porque, em uma investigação criminal envolvendo a atuação médica, os documentos podem ser determinantes para reconstruir o que realmente aconteceu.

O prontuário, os exames, as prescrições, os relatórios, os registros de atendimento e os demais documentos podem demonstrar quais informações estavam disponíveis ao médico, quais decisões foram tomadas, quais medidas foram adotadas e como o paciente evoluiu.

Por isso, se você é médico e descobriu que determinado atendimento está sendo investigado, uma das primeiras orientações que deve receber é: Não apague, não altere, não substitua e não descarte documentos relacionados ao caso.

Por que preservar os documentos médicos é tão importante para a defesa criminal?

Imagine que você seja médico e esteja sendo investigado depois de uma complicação ocorrida durante um atendimento.

A família do paciente afirma que você não tomou determinada providência.

Você, por sua vez, lembra que realizou uma avaliação, solicitou exames, prescreveu medicamentos e acompanhou a evolução.

Mas passaram-se meses desde o atendimento.

Você não consegue se lembrar de todos os detalhes.

Nesse cenário, a documentação médica pode ser fundamental.

Ela pode permitir reconstruir a sequência dos acontecimentos.

O documento pode demonstrar:

quando o paciente chegou;

  • qual era o quadro clínico;
  • quais sintomas apresentava;
  • quais exames foram solicitados;
  • quais resultados foram obtidos;
  • quais medicamentos foram prescritos;
  • quais procedimentos foram realizados;
  • quais orientações foram fornecidas;
  • quais intercorrências ocorreram;
  • quais providências foram adotadas;
  • quais profissionais participaram do atendimento;
  • como ocorreu a evolução do paciente.

Por isso, a documentação pode ser uma das principais fontes de informação para a construção da defesa.

A documentação ajuda a reconstruir os fatos

Um processo criminal não pode ser analisado apenas com base na memória do médico ou na narrativa apresentada pelo paciente ou por seus familiares.

É necessário confrontar as versões com os elementos objetivos disponíveis.

É justamente nesse ponto que a documentação médica ganha importância.

O Advogado poderá reconstruir cronologicamente o atendimento e comparar:

  • o que foi alegado, com
  • o que foi registrado e com
  • o que efetivamente pode ser demonstrado pelas provas.

Essa comparação pode revelar contradições, esclarecer dúvidas e até modificar completamente a compreensão do caso.

O prontuário médico é um dos documentos mais importantes da defesa

Quando falamos em defesa criminal do médico, o prontuário merece atenção especial.

Isso porque ele pode reunir informações fundamentais sobre a assistência prestada.

O prontuário pode conter registros relacionados a:

  • identificação do paciente;
  • anamnese;
  • exame físico;
  • hipóteses diagnósticas;
  • diagnóstico;
  • evolução clínica;
  • prescrições;
  • medicamentos;
  • procedimentos;
  • exames solicitados;
  • resultados;
  • intercorrências;
  • encaminhamentos;
  • transferência;
  • alta;
  • informações de outros profissionais da equipe.

O Código de Ética Médica estabelece deveres relacionados ao prontuário e à documentação da assistência, razão pela qual esse material deve ser tratado com extremo cuidado.

O prontuário pode demonstrar o contexto da decisão médica

Esse ponto é muito importante.

Uma decisão médica não pode ser analisada simplesmente olhando para o resultado que aconteceu posteriormente.

O profissional precisa ser avaliado considerando as informações disponíveis no momento em que tomou a decisão.

Por exemplo:

  • Um paciente chega ao pronto-socorro com determinados sintomas.
  • O médico realiza avaliação clínica e solicita exames.
  • Com base nas informações disponíveis naquele momento, adota determinada conduta.
  • Horas depois, o paciente apresenta uma complicação.

Se posteriormente surgir uma investigação criminal, não basta olhar para a complicação e concluir que a decisão inicial foi errada.

É necessário analisar:

  • O que o médico sabia naquele momento?
  • Quais informações estavam disponíveis?
  • Quais exames haviam sido realizados?
  • Qual era o quadro clínico?
  • Quais alternativas existiam?
  • Qual conduta foi adotada?

A documentação pode ser essencial para responder essas perguntas.

Quais documentos médicos devem ser preservados?

A recomendação é preservar, dentro do que for aplicável ao caso concreto, todos os documentos relacionados ao atendimento investigado.

Prontuário médico

O prontuário deve ser preservado integralmente.

Pode incluir:

  • ficha de atendimento;
  • anamnese;
  • exame físico;
  • evolução;
  • prescrições;
  • registros de procedimentos;
  • registros de enfermagem;
  • anotações médicas;
  • documentos de internação;
  • documentos de alta;
  • registros de transferência.

Exames laboratoriais

Devem ser preservados os exames relacionados ao atendimento, inclusive aqueles que possam parecer inicialmente pouco relevantes.

Podem ajudar a demonstrar o estado clínico do paciente e a evolução do quadro.

Exames de imagem

Também devem ser preservados, quando disponíveis:

  • radiografias;
  • tomografias;
  • ressonâncias;
  • ultrassonografias;
  • outros exames de imagem.

Não basta considerar apenas o laudo.

Dependendo do caso, as próprias imagens podem ser relevantes para a análise técnica.

Prescrições médicas

As prescrições podem demonstrar:

  • medicamentos indicados;
  • doses;
  • horários;
  • alterações de tratamento;
  • continuidade da assistência.

Relatórios médicos

Relatórios e documentos produzidos durante o acompanhamento também podem ser relevantes.

Eles podem ajudar a demonstrar o histórico clínico e as decisões tomadas.

Termos de consentimento

Quando existentes e relacionados ao procedimento, os termos de consentimento informado devem ser preservados.

Eles podem demonstrar que determinados riscos e informações foram apresentados ao paciente.

É importante, entretanto, compreender que a existência de um termo de consentimento não significa automaticamente que eventual conduta inadequada esteja juridicamente autorizada.

O documento é apenas um dos elementos que deverão ser analisados no contexto completo do caso.

Documentos de internação e alta

Esses documentos podem ajudar a reconstruir a cronologia do atendimento.

É possível verificar:

  • data de entrada;
  • data de saída;
  • condições clínicas;
  • orientações;
  • encaminhamentos;
  • tratamentos realizados.

Registros de outros profissionais

Também podem ser importantes registros feitos por:

  • enfermeiros;
  • técnicos de enfermagem;
  • outros médicos;
  • fisioterapeutas;
  • farmacêuticos;
  • profissionais de diagnóstico;
  • demais integrantes da equipe.

Esses registros podem ajudar a reconstruir o atendimento de maneira mais completa.

Documentos digitais também devem ser preservados

Atualmente, parte significativa da assistência médica é registrada digitalmente.

Por isso, a preservação não deve se limitar aos documentos físicos.

Podem ser relevantes:

  • prontuário eletrônico;
  • prescrições eletrônicas;
  • registros de sistema hospitalar;
  • resultados digitais de exames;
  • comunicações profissionais;
  • registros de agendamento;
  • registros de atendimento;
  • documentos eletrônicos relacionados ao paciente.

É importante que o médico não tente realizar alterações ou exclusões posteriores por conta própria.

Se houver alguma dúvida sobre a preservação de determinado registro digital, o ideal é consultar o advogado e, quando necessário, a instituição responsável pelo sistema.

Mensagens de WhatsApp podem ser importantes para a defesa?

Dependendo do caso, sim.

Comunicações profissionais relacionadas ao atendimento podem ter relevância probatória.

Por exemplo, podem existir mensagens entre profissionais discutindo:

  • alteração do quadro clínico;
  • solicitação de avaliação;
  • comunicação de intercorrência;
  • transferência;
  • resultado de exame;
  • orientação de conduta;
  • acionamento de especialista.

Isso não significa que o médico deva sair fazendo cópias indiscriminadas de informações de pacientes ou compartilhando documentos de forma inadequada.

A preservação deve respeitar as regras de sigilo profissional, proteção de dados e privacidade.

Por isso, diante de uma investigação, o advogado deverá orientar sobre quais elementos devem ser preservados e como isso deve ser feito adequadamente.

O médico pode alterar o prontuário depois que descobre a investigação?

Esse é um ponto extremamente importante.

O médico não deve alterar retroativamente o prontuário para modificar aquilo que foi registrado no momento do atendimento.

Se houver necessidade de realizar algum registro posterior legítimo, é necessário observar rigorosamente as regras profissionais, institucionais e técnicas aplicáveis, mantendo a rastreabilidade adequada.

O médico jamais deve tentar "corrigir" o passado para fazer com que o documento pareça mais favorável à sua defesa.

Isso pode transformar uma situação inicialmente relacionada ao atendimento em um problema adicional envolvendo a documentação.

 

E se o médico perceber que existe um erro no prontuário?

Essa situação precisa ser tratada com cautela.

Não é a mesma coisa identificar um erro material legítimo em um registro e alterar retroativamente uma informação para mudar a narrativa do atendimento.

Se o médico perceber uma inconsistência, o ideal é consultar o responsável técnico, a instituição e seu advogado sobre a forma juridicamente e eticamente adequada de proceder.

A correção de um registro precisa preservar a integridade e a rastreabilidade da documentação.

E se estiver faltando algum documento médico?

Essa é uma situação que pode acontecer.

Imagine que o advogado solicite determinados documentos e o médico perceba que não possui uma cópia de um exame, de um relatório ou de outro registro.

A primeira orientação é: Não tente recriar o documento.

Também não se deve produzir posteriormente um documento que aparente ter sido elaborado na época do atendimento.

O correto é identificar por que o documento não está disponível e verificar onde ele pode estar.

O que fazer se faltarem documentos médicos?

Se algum documento estiver faltando, o médico deve informar isso ao advogado.

A partir daí, será possível investigar a origem do documento.

Por exemplo, ele pode estar:

  • no hospital;
  • na clínica;
  • no laboratório;
  • no sistema de prontuário eletrônico;
  • com outro profissional;
  • no setor de arquivo;
  • em plataforma digital;
  • em sistema de diagnóstico;
  • em instituição para a qual o paciente foi transferido.

O advogado poderá avaliar as providências juridicamente cabíveis para localizar ou obter os documentos.

O que fazer quando o prontuário está na posse do hospital?

Essa situação é bastante comum.

O médico pode ter participado do atendimento, mas o prontuário estar armazenado na instituição.

Nesse caso, não significa que a defesa esteja sem documentação.

É necessário identificar onde os registros estão e avaliar juridicamente como podem ser obtidos.

Dependendo da situação, o advogado poderá orientar sobre as medidas adequadas para acessar os documentos relevantes.

E se o documento realmente não existir?

Também é importante não tentar preencher a lacuna artificialmente.

Se determinado documento não existe, a defesa deve trabalhar com essa realidade.

O Advogado poderá analisar outros elementos que permitam reconstruir o atendimento.

Por exemplo:

  • prontuário;
  • exames;
  • registros de outros profissionais;
  • documentos hospitalares;
  • registros de sistema;
  • depoimentos;
  • informações de transferência;
  • documentos posteriores.

A ausência de determinado documento não significa automaticamente que o médico seja responsável pelo resultado.

Mas a circunstância precisa ser corretamente explicada e analisada.

Por que o médico não deve tentar reconstruir documentos depois da investigação?

Porque isso pode gerar um problema ainda maior.

Imagine que, meses depois de um atendimento, o médico descubra que está sendo investigado.

Ele percebe que determinada informação não foi registrada no prontuário e decide acrescentá-la como se tivesse sido registrada na época.

Essa conduta pode levantar questionamentos sobre a autenticidade e a integridade do documento.

A defesa criminal deve trabalhar com provas verdadeiras e legítimas, e não com documentos produzidos posteriormente para alterar a aparência dos fatos.

Se existir alguma informação relevante que não tenha sido registrada originalmente, o médico deve discutir com seu advogado qual é a maneira adequada de lidar com essa circunstância.

Para Ilustrar

Imagine que um médico tenha realizado um procedimento cirúrgico.

Durante o pós-operatório, o paciente apresenta uma complicação grave e precisa ser submetido a nova intervenção.

A família entende que houve erro médico e registra ocorrência policial.

O médico recebe a notícia de que existe uma investigação.

Qual deve ser sua primeira atitude depois de procurar o Advogado Especialista em Processo Criminal Médico?

Preservar toda a documentação relacionada ao caso.

O Advogado Especialista em Processo Criminal Médico orienta que sejam reunidos:

  • prontuário;
  • ficha de internação;
  • exames pré-operatórios;
  • exames pós-operatórios;
  • termo de consentimento;
  • descrição cirúrgica;
  • evolução médica;
  • registros de enfermagem;
  • prescrições;
  • documentos da nova intervenção;
  • relatórios;
  • registros de outros profissionais;
  • documentos de transferência, se houver.

Depois de reunir os elementos, a defesa percebe que o paciente já apresentava uma condição clínica que aumentava determinado risco.

Também verifica que a complicação estava descrita nos documentos relacionados ao procedimento e que, quando a intercorrência ocorreu, houve registro das providências adotadas.

Além disso, os documentos demonstram que outros profissionais participaram da assistência.

Nesse cenário, a documentação permite reconstruir o atendimento de maneira muito mais precisa.

Perceba que o prontuário não "prova sozinho" que o médico é inocente.

Mas ele fornece elementos fundamentais para que a defesa possa analisar o que realmente aconteceu.

Preservar os documentos é proteger elementos importantes da sua defesa

Na defesa criminal do médico, preservar os documentos é uma das providências mais importantes depois que surge uma investigação.

Não espere que o problema se transforme em processo criminal para começar a organizar a documentação.

Se estiver faltando algum documento, não tente recriá-lo.

Informe a ausência ao Advogado para que seja possível investigar onde o registro está, avaliar sua importância e adotar as providências juridicamente adequadas.

 

 4º Passo: Apresentar resposta a acusação se o Ministério Público oferecer denúncia.

Se a investigação avançou e o Ministério Público entendeu que existem elementos suficientes para apresentar uma acusação criminal, poderá oferecer uma denúncia contra o médico.

Nesse momento, a situação jurídica muda de forma importante.

Até então, o médico poderia estar sendo investigado em um inquérito policial. Com o oferecimento da denúncia e, posteriormente, seu recebimento pelo Poder Judiciário, inicia-se uma nova etapa do procedimento criminal.

É justamente nesse momento que surge uma peça defensiva de extrema importância: a resposta à acusação.

Se você é médico e recebeu a informação de que o Ministério Público ofereceu denúncia contra você, a primeira orientação é não entrar em desespero e, principalmente, não tentar elaborar uma defesa sozinho.

A resposta à acusação é uma oportunidade formal para a defesa apresentar argumentos, alegações, documentos e requerimentos antes do prosseguimento da ação penal para a fase de instrução.

Por isso, essa etapa precisa ser tratada com muita seriedade.

O que é a resposta à acusação na defesa criminal do médico?

A resposta à acusação é a manifestação apresentada pela defesa depois que o acusado é citado para responder à acusação.

No procedimento comum do Código de Processo Penal, o art. 396-A prevê que, na resposta, o acusado poderá alegar tudo o que interesse à sua defesa, apresentar documentos e justificações, especificar provas pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-as e requerendo sua intimação quando necessário.

O dispositivo também estabelece que, após o recebimento da denúncia ou queixa, o acusado será citado para responder à acusação por escrito no prazo de 10 dias.

Portanto, não estamos falando de uma simples formalidade.

É uma oportunidade processual para a defesa apresentar uma primeira resposta estruturada à acusação criminal.

No caso do médico, essa manifestação deve considerar não apenas o aspecto jurídico, mas também as particularidades técnicas do atendimento médico que deu origem à investigação.

Qual é o prazo para apresentar a resposta à acusação?

No procedimento comum, o prazo previsto no Código de Processo Penal é de 10 dias.

O art. 396 do CPP estabelece que, depois de recebida a denúncia ou queixa, o acusado será citado para responder à acusação, por escrito, no prazo de 10 dias.

O art. 396-A complementa a disciplina da resposta defensiva.

É fundamental, entretanto, não tratar esse prazo como se fosse simplesmente "dez dias corridos a partir da data que aparece no documento".

A contagem do prazo processual deve ser examinada de acordo com as regras aplicáveis ao caso concreto, inclusive quanto à forma de citação, início da contagem e eventuais particularidades processuais.

Por isso, se você recebeu uma citação criminal, entregue imediatamente o documento ao seu Advogado.

Não espere chegar perto do último dia.

Por que o prazo de 10 dias é tão importante?

Porque a resposta à acusação é uma oportunidade defensiva que não deve ser desperdiçada.

É nesse momento que a defesa deverá organizar a reação jurídica à denúncia e avaliar quais questões podem e devem ser apresentadas desde logo.

O Advogado precisa analisar rapidamente:

  • o conteúdo da denúncia;
  • a decisão que recebeu a denúncia;
  • os elementos do inquérito;
  • os documentos médicos;
  • os laudos;
  • os depoimentos;
  • as testemunhas;
  • as questões processuais;
  • as questões relacionadas ao mérito da acusação;
  • as provas que deverão ser produzidas.

Por isso, o ideal é que o médico procure Advogados Especialistas em Processo Criminal Médico imediatamente após tomar conhecimento da citação.

A resposta à acusação é obrigatória?

No procedimento comum, sim, trata-se de uma etapa essencial da defesa.

O Código de Processo Penal prevê que, não apresentada a resposta no prazo legal, ou se o acusado, citado, não constituir defensor, o juiz poderá nomear defensor para oferecê-la, concedendo-lhe vista dos autos pelo prazo legal.

Isso demonstra algo muito importante: O processo penal não deve prosseguir sem que exista defesa técnica.

Para o médico, porém, não é recomendável simplesmente deixar que seja nomeado um defensor por falta de manifestação.

O ideal é constituir desde o início Advogados Especialistas em Processo Criminal Médico de sua confiança, especialmente alguém que compreenda as particularidades da responsabilidade criminal relacionada à atividade médica.

O que deve ser analisado antes de elaborar a resposta à acusação?

Antes de escrever a peça, o advogado precisa estudar o caso.

Não é suficiente simplesmente copiar argumentos genéricos e apresentá-los ao juiz.

A resposta deve ser construída a partir daquilo que efetivamente consta no processo.

Análise detalhada da denúncia

O primeiro passo é analisar exatamente o que o Ministério Público está imputando ao médico.

A defesa precisa identificar:

  • qual fato está sendo atribuído;
  • qual crime está sendo imputado;
  • qual conduta teria sido praticada;
  • quando teria ocorrido;
  • qual resultado teria sido produzido;
  • qual seria o vínculo entre a conduta médica e o resultado;
  • quais provas sustentam a acusação.

Essa análise é fundamental.

Uma denúncia não deve ser enfrentada apenas emocionalmente.

O advogado precisa desmontar a acusação juridicamente, ponto por ponto, quando houver fundamentos para isso.

O que não pode faltar na resposta à acusação?

Não existe uma resposta à acusação "pronta" que sirva para todos os médicos.

A peça deve ser personalizada.

Entretanto, alguns pontos precisam ser cuidadosamente avaliados.

Análise das questões processuais

O advogado deverá verificar se existem questões processuais que possam ser discutidas desde logo.

Dependendo do caso, poderão ser analisadas questões relacionadas a:

  • competência;
  • condições da ação;
  • pressupostos processuais;
  • regularidade da denúncia;
  • justa causa;
  • nulidades;
  • questões relacionadas à prova;
  • outras matérias preliminares pertinentes.

Não significa que todas essas questões estarão presentes em todos os processos.

A defesa deve identificar aquilo que efetivamente existe no caso concreto.

Verificação da existência de justa causa

Esse é um ponto extremamente relevante.

O advogado deverá avaliar se existem elementos mínimos que justifiquem a continuidade da ação penal.

Não basta existir uma acusação contra o médico.

É necessário analisar se a imputação encontra suporte nos elementos existentes nos autos.

Em uma investigação por suposto erro médico, por exemplo, será necessário verificar se existem elementos que estabeleçam, de maneira minimamente consistente, a relação entre a conduta atribuída ao profissional e o resultado ocorrido.

Análise da descrição da conduta do médico

A defesa precisa verificar se a acusação individualiza adequadamente a conduta atribuída ao profissional.

Imagine que um hospital tenha diversos médicos e profissionais envolvidos no atendimento.

A denúncia não deve simplesmente tratar toda a equipe como se todos tivessem praticado exatamente a mesma conduta.

É necessário compreender:

  • O que especificamente esse médico teria feito?
  • Quando teria feito?
  • Qual decisão teria tomado?
  • Qual resultado teria causado?

Essa individualização é particularmente importante na defesa criminal médica.

Análise do nexo causal

Em casos envolvendo suposta responsabilidade criminal decorrente de atendimento médico, o nexo causal merece atenção especial.

O advogado deverá analisar se existe efetivamente relação entre a conduta atribuída ao médico e o resultado.

Por exemplo: Um paciente possui quadro clínico grave, sofre complicação e posteriormente falece.

A pergunta não pode ser simplesmente:"Ele morreu depois do atendimento?"

É necessário perguntar: A conduta atribuída ao médico foi causa juridicamente relevante do resultado?

A resposta dependerá das provas.

Podem existir circunstâncias clínicas anteriores, complicações, condições preexistentes ou outros fatores que precisam ser considerados.

Análise da existência de culpa

Nos crimes culposos relacionados à atuação médica, a defesa precisa analisar cuidadosamente a existência dos elementos que caracterizariam a culpa.

Não basta afirmar genericamente que o médico foi "negligente", "imprudente" ou "imperito".

A acusação precisa ser examinada de maneira concreta.

A defesa deverá perguntar:

  • Qual foi a conduta supostamente inadequada?
  • Qual seria a conduta esperada?
  • Por que aquela conduta seria inadequada?
  • Qual prova demonstra isso?
  • O médico tinha condições concretas de agir de outra maneira?
  • O resultado era previsível?
  • Existe relação causal entre a conduta e o resultado?

Essas questões são essenciais para estruturar a defesa.

Análise dos documentos médicos

Tudo aquilo que foi preservado nas etapas anteriores volta a ter importância nesse momento.

O Advogado Especialista em Processo Criminal Médico deverá analisar:

  • prontuário;
  • exames;
  • prescrições;
  • relatórios;
  • termos de consentimento;
  • registros de evolução;
  • documentos de internação;
  • documentos de alta;
  • registros de outros profissionais;
  • documentos relacionados ao procedimento;
  • laudos.

A resposta à acusação deve ser construída com base no conjunto probatório.

Apresentação de documentos relevantes

O art. 396-A do CPP permite que o acusado apresente documentos e justificações na resposta à acusação.

Isso pode ser especialmente importante na defesa do médico.

Imagine que determinada informação não tenha sido adequadamente considerada na investigação.

Se existe documentação legítima que esclarece o atendimento, o advogado deverá avaliar a pertinência de apresentá-la.

É importante, porém, que os documentos sejam apresentados de maneira organizada e contextualizada.

Não adianta simplesmente juntar dezenas de documentos sem explicar sua relevância.

Indicação das provas que a defesa pretende produzir

A resposta à acusação também é o momento adequado para a defesa especificar as provas que pretende produzir, conforme a disciplina do art. 396-A do CPP.

Dependendo do caso, isso poderá envolver:

  • prova testemunhal;
  • prova documental;
  • prova pericial;
  • esclarecimentos técnicos;
  • outras provas admitidas juridicamente.

A estratégia probatória deve ser pensada desde esse momento.

Arrolamento das testemunhas

Quando cabível, a defesa deverá apresentar o rol de testemunhas dentro da resposta à acusação, observando o procedimento aplicável.

No procedimento comum ordinário, o CPP prevê, em regra, até 8 testemunhas da acusação e 8 da defesa, sem computar determinadas pessoas nas hipóteses previstas pelo próprio Código. Já no procedimento sumário, o limite é diferente.

Por isso, não basta saber que existe um prazo de 10 dias.

É necessário também compreender qual procedimento criminal está sendo aplicado ao caso.

A resposta à acusação pode levar à absolvição sumária?

Sim.

Essa é uma das razões pelas quais essa etapa é tão importante.

O art. 397 do Código de Processo Penal estabelece hipóteses em que, após o cumprimento da etapa da resposta à acusação, o juiz deverá absolver sumariamente o acusado.

Entre elas estão situações como a existência manifesta de causa excludente da ilicitude, existência manifesta de causa excludente da culpabilidade, ressalvada a hipótese de inimputabilidade, fato narrado evidentemente não constituir crime ou extinção da punibilidade.

Portanto, a resposta à acusação pode representar uma oportunidade para demonstrar que não há razão jurídica para que o processo prossiga nas circunstâncias concretas apresentadas.

Mas é importante não criar falsas expectativas.

A existência de uma resposta à acusação não significa que o processo necessariamente será encerrado nessa fase.

A possibilidade de absolvição sumária depende das circunstâncias concretas e da presença dos requisitos legais.

Para Ilustrar

Imagine o seguinte caso.

Um médico realiza atendimento de emergência em um paciente que chega ao hospital apresentando quadro grave.

O paciente evolui negativamente e falece.

A família registra ocorrência e afirma que o médico teria sido negligente porque "não realizou determinado procedimento".

O inquérito é instaurado.

Durante a investigação, são analisados o prontuário, exames e depoimentos.

Posteriormente, o Ministério Público oferece denúncia contra o médico, atribuindo-lhe crime relacionado ao resultado ocorrido.

O médico é citado.

Nesse momento, começa o prazo para apresentação da resposta à acusação.

O que o Advogado deverá fazer?

Primeiro, estudar a denúncia.

Depois, comparar a narrativa acusatória com o conteúdo do inquérito.

A defesa percebe que a denúncia afirma que determinado exame não teria sido solicitado.

Entretanto, o prontuário demonstra que o exame foi solicitado.

Além disso, o resultado do exame consta nos registros e demonstra uma condição clínica relevante.

A defesa também verifica que o médico adotou determinada conduta após receber o resultado.

Nesse cenário, a resposta à acusação poderá demonstrar a existência de uma divergência relevante entre a narrativa da denúncia e os elementos documentais existentes.

O advogado deverá avaliar juridicamente quais consequências essa inconsistência produz e quais pedidos defensivos são cabíveis.

Perceba a importância das etapas anteriores.

Se os documentos não tivessem sido preservados e analisados, essa informação poderia passar despercebida.

Outro exemplo: Quando a denúncia não individualiza adequadamente a conduta médica

Imagine agora que cinco profissionais participaram do atendimento de um paciente.

O Ministério Público oferece denúncia contra todos, afirmando genericamente que "a equipe médica agiu com negligência".

O Advogado do médico precisa verificar se a acusação descreve concretamente a participação individual do profissional.

É necessário saber:

  • Qual ato foi praticado pelo médico?
  • Qual omissão lhe foi atribuída?
  • Em que momento?
  • Qual era sua função naquele atendimento?
  • Qual resultado teria sido provocado especificamente por sua conduta?

Se a acusação não apresentar adequadamente os elementos necessários à imputação, a defesa deverá avaliar as consequências processuais e os argumentos cabíveis.

O médico pode apresentar sua versão dos fatos na resposta à acusação?

Sim.

A defesa poderá apresentar argumentos relacionados aos fatos, desde que formulados estrategicamente.

Mas existe uma diferença importante entre:

  • apresentar uma versão juridicamente fundamentada, e
  • simplesmente contar a história novamente.

A resposta à acusação precisa demonstrar por que os fatos narrados pelo Ministério Público não justificam, total ou parcialmente, a responsabilização pretendida, conforme os elementos concretos do processo.

Por isso, a defesa deve ser técnica.

A resposta à acusação não deve ser genérica

Esse é um dos maiores cuidados.

Uma resposta genérica, que simplesmente negue os fatos sem analisar a documentação, pode deixar de aproveitar uma oportunidade importante.

No caso do médico, a defesa precisa considerar as particularidades da atividade profissional.

Não basta dizer:"O médico não cometeu erro."

É necessário demonstrar, com base nos elementos disponíveis:

  • qual era o quadro clínico;
  • quais informações estavam disponíveis;
  • qual conduta foi adotada;
  • por que a conduta foi adotada;
  • quais documentos comprovam essa conduta;
  • qual resultado ocorreu;
  • por que não é possível atribuir automaticamente esse resultado ao profissional.

Quais direitos do médico devem ser observados nessa fase?

O médico, como qualquer acusado, possui direitos e garantias fundamentais.

Entre eles estão:

  • direito à defesa;
  • direito ao contraditório;
  • direito à ampla defesa;
  • direito à assistência de advogado;
  • direito de produzir provas;
  • direito de apresentar documentos;
  • direito de indicar testemunhas, conforme o procedimento;
  • direito de não produzir prova contra si mesmo;
  • direito ao devido processo legal;
  • presunção de inocência.

A Constituição Federal assegura o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, além da presunção de não culpabilidade até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória.

 

O que o médico não deve fazer depois de receber a denúncia?

  • Não ignorar a citação: O prazo precisa ser imediatamente analisado;
  • Não esperar o último dia: A defesa precisa de tempo para estudar o processo;
  • Não procurar testemunhas sem orientação: O contato com pessoas envolvidas no caso deve ser conduzido com cautela;
  • Não apagar mensagens ou documentos: A preservação das provas continua sendo fundamental;
  • Não fazer declarações públicas sobre o processo: Redes sociais não são o local adequado para apresentar defesa criminal;
  • Não tentar elaborar sozinho uma defesa jurídica: A resposta à acusação exige análise técnica e estratégica.

O que acontece depois da resposta à acusação?

A resposta à acusação não encerra necessariamente o processo.

Se não for caso de absolvição sumária, o processo poderá prosseguir para a fase de instrução, com produção das provas admitidas.

Nesse momento, poderão ocorrer atos como:

  • audiência;
  • oitiva de testemunhas;
  • esclarecimentos de peritos, quando cabíveis;
  • produção de outras provas;
  • interrogatório do acusado;
  • alegações finais;
  • posterior decisão judicial.

É justamente por isso que a resposta à acusação deve ser pensada também como parte de uma estratégia mais ampla.

O Advogado não deve olhar apenas para o ato processual atual.

Deve pensar no desenvolvimento de toda a defesa.

A resposta à acusação é um momento decisivo na defesa criminal do médico

Se o Ministério Público ofereceu denúncia contra você, isso não significa que você foi condenado ou que a acusação esteja necessariamente correta.

Significa que uma nova etapa processual começou e que sua defesa precisa ser estruturada de maneira técnica.

No procedimento comum, a resposta à acusação deve ser apresentada, em regra, no prazo de 10 dias, conforme os arts. 396 e 396-A do Código de Processo Penal.

Nesse momento, o advogado deverá analisar cuidadosamente a denúncia, verificar questões preliminares, examinar a existência de justa causa, avaliar a individualização da conduta, analisar o nexo causal, verificar os elementos relacionados à culpa, juntar documentos pertinentes, indicar as provas que pretende produzir e arrolar testemunhas quando cabível.

Também deverá avaliar se existe hipótese de absolvição sumária, nos termos do art. 397 do CPP.

Para o médico, essa etapa é especialmente importante porque a acusação criminal pode estar relacionada a um atendimento complexo, no qual o resultado desfavorável não significa, por si só, que tenha existido crime.

É preciso analisar tecnicamente o que aconteceu, quais informações estavam disponíveis ao profissional, qual conduta foi adotada, quais documentos comprovam essa conduta e se existe efetivamente fundamento jurídico para responsabilização criminal.

Por isso, se você recebeu uma citação para apresentar resposta à acusação, não deixe para procurar um advogado no final do prazo.

Procure orientação imediatamente.

 

Conclusão

Como vimos ao longo deste post, ser investigado ou acusado não significa ser culpado.

A existência de uma investigação ou de uma ação penal não autoriza concluir, por si só, que houve crime ou erro médico.

A defesa criminal existe justamente para analisar tecnicamente os fatos, as provas e a conduta atribuída ao profissional.

Por isso, a defesa deve começar o quanto antes.

Felizmente, agora você já sabe Como funciona a Defesa Criminal do médico.

Como Advogados Especialistas em Processo Criminal Médico, só aqui nós mostramos:

  • 1º Passo: Busque o auxílio de Advogados Especialistas em Processo Criminal Médico
  • 2º Passo: Analisar o Inquérito Policial
  • 3º Passo: Preservar todos os documentos médicos
  • 4º Passo: Apresentar resposta a acusação se o Ministério Público oferecer denúncia

Por isso, contar com um advogado com experiência em Direito Médico e defesa criminal de profissionais da saúde pode ser fundamental para organizar a estratégia desde os primeiros momentos.

Leia também:

 Quando o erro médico vira crime?

5 Erros do CRM que anulam processos.

 Processo Criminal Médico: O que acontece após o Indiciamento?

 

Quanto mais cedo houver orientação jurídica adequada, maiores serão as condições de preservar provas, compreender os riscos, exercer os direitos do médico e construir uma estratégia defensiva compatível com as circunstâncias concretas do caso.

Estamos aqui para ajudar.

Até o próximo conteúdo.

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