Nossa Missão
Receber uma acusação de erro médico é uma situação que pode gerar preocupação, insegurança e muitas dúvidas para o profissional.
A primeira questão que precisa ficar clara é que um resultado desfavorável, uma complicação ou até mesmo a piora do estado de saúde do paciente não significam, por si só, que houve erro médico.
A análise da responsabilidade do profissional exige a avaliação concreta da conduta adotada, das circunstâncias do atendimento, das informações disponíveis naquele momento e da observância da técnica médica aplicável ao caso.
Por isso, se você é médico e está diante de uma acusação de erro médico, o primeiro passo não é tentar justificar informalmente o que aconteceu nem entrar em contato com o paciente para discutir a situação.
Pensando nisso, preparamos esse post especialmente para você!
Como Advogados Especialistas em Negligência e Erro Médico, nós explicamos tudo sobre Como provar que não houve Erro Médico.
Dá só uma olhada:
1º Passo: Buscar o auxílio de Advogados Especialistas em Negligência e Erro Médico.
2º Passo: Preservar imediatamente o Prontuário Médico.
3º Passo: Reúna exames, laudos e demais documentos relacionados ao caso.
4º Passo: Demonstre quais alternativas foram avaliadas.
5º Passo: Verifique se existiam fatores relacionados exclusivamente ao paciente.
6º Passo: Avalie se existe nexo causal entre a conduta e o dano.
7º Passo: Tenha cuidado ao conversar diretamente com o paciente após a acusação.
Em outras palavras, não basta dizer que não houve erro médico.
É preciso demonstrar, por meio de elementos técnicos e documentais, como a assistência foi prestada e por que a conduta adotada foi adequada ao caso concreto
Então, vamos ao que interessa?
Quando existe uma acusação de erro médico, cada manifestação, documento e informação pode adquirir importância posteriormente.
Uma resposta elaborada sem orientação jurídica, uma explicação incompleta ou até mesmo uma tentativa de corrigir posteriormente alguma informação do prontuário pode comprometer a estratégia de defesa.
Por isso, o primeiro passo não deve ser responder à acusação.
Deve ser compreender juridicamente a situação e organizar a defesa.
A acusação de erro médico pode envolver diferentes esferas de responsabilidade.
Dependendo das circunstâncias, o médico pode enfrentar uma reclamação administrativa, sindicância, procedimento perante o Conselho Regional de Medicina, processo ético-profissional, ação de indenização ou outras medidas relacionadas ao atendimento.
Cada situação possui características próprias e exige uma estratégia diferente.
Além disso, existe uma questão fundamental: o médico precisa conseguir demonstrar documentalmente como sua atuação ocorreu.
O Conselho Federal de Medicina reconhece a importância do prontuário como documento de caráter legal, sigiloso e científico, inclusive destacando sua utilização como instrumento de defesa.
Isso significa que o Advogado Especialista em Negligência e Erro Médico poderá atuar desde o primeiro momento para identificar quais documentos são relevantes, quais providências precisam ser tomadas e como preservar adequadamente os elementos que poderão ser utilizados na defesa.
Esse é um ponto que quero destacar para você, médico.
O trabalho dos Advogados Especialistas em Negligência e Erro Médico não começa necessariamente quando chega uma ação judicial.
Na verdade, quanto antes houver orientação jurídica, maiores são as possibilidades de estruturar adequadamente a defesa.
O Advogado Especialista em Negligência e Erro Médico poderá ajudar você a responder perguntas fundamentais:
Perceba que, antes de falar sobre "como provar que não houve erro médico", precisamos descobrir qual é exatamente o fato que precisa ser provado.
A atuação jurídica não consiste em simplesmente afirmar que o médico não errou.
É necessário construir uma defesa baseada nos fatos, documentos e elementos técnicos disponíveis.
O primeiro trabalho será compreender exatamente o que o paciente ou familiar está alegando.
A expressão "erro médico" é muito ampla.
O paciente pode estar alegando, por exemplo:
Cada uma dessas alegações exige uma análise diferente.
Por isso, não é possível montar uma defesa adequada sem primeiro identificar precisamente qual conduta está sendo questionada.
Depois de compreender a acusação, o próximo passo é identificar quais documentos podem demonstrar a regularidade do atendimento.
Entre os elementos que podem ser relevantes estão:
A documentação deve permitir reconstruir o atendimento de maneira cronológica.
O objetivo é conseguir responder: O que aconteceu? Quando aconteceu? O que o médico sabia naquele momento? Qual decisão foi tomada? Por que aquela decisão foi tomada? O que aconteceu depois?
Imagine que o médico tenha realizado corretamente determinado procedimento, mas que parte das informações relevantes não esteja adequadamente registrada.
Essa situação precisa ser identificada rapidamente.
O advogado poderá analisar a documentação e apontar quais informações estão disponíveis e quais questões precisam ser esclarecidas por outros meios de prova.
É importante lembrar que não se deve alterar ou fabricar informações posteriormente para tentar "melhorar" a defesa.
O caminho correto é preservar a documentação existente e buscar orientação jurídica sobre como lidar com eventuais lacunas documentais.
Imagine que um médico tenha realizado uma cirurgia considerada tecnicamente adequada.
Após o procedimento, o paciente apresentou uma complicação conhecida e prevista entre os riscos possíveis daquele tipo de intervenção.
O paciente, acreditando que a complicação ocorreu porque o médico "errou", envia uma mensagem dizendo que pretende processá-lo.
O médico, convencido de que não fez nada errado, responde imediatamente: "Isso aconteceu porque seu organismo não respondeu bem ao procedimento. Eu fiz tudo corretamente e você foi informado dos riscos."
À primeira vista, parece uma resposta absolutamente normal.
Mas será que era a melhor estratégia?
Antes de responder, seria necessário analisar o prontuário, os exames, os registros do procedimento, as informações fornecidas ao paciente, o termo de consentimento e a evolução clínica.
Também seria necessário verificar se a complicação realmente corresponde a um risco inerente ao procedimento e se a conduta adotada pelo médico diante da intercorrência foi adequada.
Talvez a documentação demonstre claramente que o médico agiu corretamente.
Mas também pode existir alguma informação que precise ser esclarecida.
Ao procurar o Advogado Especialista em Negligência e Erro Médico antes de responder, o profissional poderá receber orientação sobre como preservar as provas, como conduzir a comunicação e quais documentos devem ser analisados.
A questão não é impedir o médico de conversar com o paciente.
A questão é evitar que uma situação potencialmente delicada seja conduzida sem estratégia jurídica.
Se existe uma mensagem principal que você, médico, deve guardar deste artigo, é esta: Não espere ser processado para começar a se defender.
Quando surge uma acusação de erro médico, o primeiro passo é buscar orientação jurídica especializada.
O Advogado Especialista em Negligência e Erro Médico não está ali apenas para comparecer a uma audiência ou apresentar uma defesa judicial.
Ele pode participar de todo o processo de construção da estratégia defensiva, desde a análise inicial dos fatos até a identificação e preservação das provas.
E isso é especialmente importante porque, em uma discussão sobre responsabilidade médica, a documentação pode ser determinante para reconstruir o atendimento e demonstrar que a conduta adotada foi adequada.
Portanto, se você é médico e está enfrentando uma acusação de erro médico, não tente provar sozinho que não houve erro.
Procure um Advogado Especialista em Negligência e Erro Médico, preserve a documentação e permita que o caso seja analisado de forma técnica, jurídica e individualizada.
A pergunta não deve ser apenas "como vou me defender?".
A pergunta correta é: "Quais provas demonstram o que realmente aconteceu e como posso apresentá-las de maneira juridicamente adequada?"
É a partir dessa pergunta que uma defesa consistente começa.
Porque a defesa não começa com a contestação de um processo. A defesa começa com a preservação e organização das provas.
Se você é médico e está diante de uma acusação de erro médico, não espere para descobrir quais documentos possui somente quando receber uma intimação.
Não espere para descobrir o que deverá responder depois de já ter enviado mensagens ao paciente.
Não espere para procurar orientação jurídica quando todos os prazos já estiverem correndo.
Procure orientação desde o início.
O Advogado Especialista em Negligência e Erro Médico poderá ajudá-lo a compreender a acusação, preservar documentos, organizar os fatos, avaliar os riscos, identificar as provas relevantes e definir a melhor estratégia para demonstrar que a conduta profissional foi adequada.
O segundo passo para o médico que precisa demonstrar que não houve erro médico é preservar imediatamente o prontuário e toda a documentação relacionada ao atendimento questionado.
Esse cuidado é fundamental porque, em uma eventual discussão judicial, administrativa ou ética, não será suficiente afirmar que a conduta médica foi correta.
Será necessário, sempre que possível, demonstrar documentalmente o que aconteceu durante o atendimento, quais informações estavam disponíveis, quais decisões foram tomadas e como o paciente evoluiu.
Vamos entender isso melhor?
Imagine que, meses depois de uma consulta, cirurgia ou tratamento, o paciente alegue que o médico não realizou determinado procedimento, não solicitou determinado exame ou não forneceu determinada orientação.
Como o profissional poderá demonstrar o que realmente aconteceu?
É justamente nesse momento que a documentação contemporânea ao atendimento pode assumir enorme importância.
Um prontuário adequadamente preenchido pode permitir a reconstrução da assistência prestada, indicando, conforme o caso:
O Conselho Federal de Medicina reconhece o prontuário como documento de caráter legal, sigiloso e científico e destaca sua importância como instrumento de defesa. A regulamentação também estabelece requisitos relacionados ao seu preenchimento e à sua utilização.
Portanto, quando falamos em como provar que não houve erro médico, não podemos ignorar a importância da documentação produzida durante o próprio atendimento.
Uma acusação de erro médico muitas vezes surge muito tempo depois do atendimento.
Nesse intervalo, a memória das pessoas pode se tornar menos precisa.
O médico pode ter atendido centenas ou milhares de pacientes desde então.
O paciente pode lembrar de determinados acontecimentos de maneira diferente.
Familiares podem ter recebido informações posteriormente e não ter acompanhado diretamente o atendimento.
O prontuário, por outro lado, deve permitir uma reconstrução documental da assistência.
Por isso, uma das perguntas que fazemos quando analisamos uma possível defesa é: "Se alguém que não participou daquele atendimento tivesse acesso ao prontuário, conseguiria compreender o que aconteceu?"
Essa é uma pergunta extremamente importante.
Um bom prontuário deve permitir compreender a evolução do caso e as decisões tomadas ao longo do atendimento.
Pense no prontuário como uma espécie de linha do tempo da assistência médica.
Ele deve permitir compreender:
Paciente chegou → apresentou determinada queixa → foi avaliado → foram identificadas determinadas condições → foram solicitados ou analisados exames → foi estabelecida determinada hipótese ou diagnóstico → foi indicada determinada conduta → foram fornecidas orientações → paciente evoluiu de determinada maneira → diante de eventual intercorrência, foram tomadas determinadas providências.
Quanto mais clara for essa sequência documental, mais fácil será analisar juridicamente e tecnicamente a atuação profissional.
Isso não significa que um prontuário perfeito seja garantia de ausência de responsabilidade.
Também não significa que uma falha documental prove automaticamente que houve erro médico.
O que significa é que a qualidade da documentação pode fazer enorme diferença na capacidade de reconstruir os fatos e estruturar a defesa do profissional.
Preservar o prontuário não significa simplesmente "guardar o arquivo".
É necessário garantir que a documentação existente seja mantida de forma íntegra, organizada e acessível, respeitando as regras aplicáveis ao sigilo médico e à proteção dos dados do paciente.
Quando surge uma acusação, é importante evitar qualquer atitude que possa comprometer a autenticidade ou a confiabilidade da documentação.
O médico não deve simplesmente modificar registros antigos para inserir informações que não foram registradas no momento adequado.
Essa orientação é especialmente importante.
Imagine que o médico descubra que o paciente está alegando que determinada orientação não foi fornecida.
Ao perceber a acusação, o profissional pensa: "Eu me lembro de ter explicado isso. Vou entrar agora no prontuário e acrescentar essa informação."
Esse procedimento pode gerar um problema muito maior.
Uma coisa é realizar uma complementação documental de maneira regular, quando juridicamente e tecnicamente cabível, deixando clara a natureza e a data do registro.
Outra coisa completamente diferente é inserir posteriormente uma informação como se ela tivesse sido registrada na época do atendimento.
Não se deve criar, apagar, adulterar ou manipular informações do prontuário para construir uma defesa.
A defesa precisa ser baseada em fatos verdadeiros e documentação autêntica.
Se existe uma lacuna no prontuário, o caminho correto é conversar com o advogado para avaliar quais outros elementos podem demonstrar o que aconteceu.
Vamos imaginar uma situação bastante comum.
Um médico realiza uma cirurgia em determinado paciente.
O procedimento é realizado conforme a técnica indicada. O paciente é orientado sobre os cuidados pós-operatórios e recebe acompanhamento.
Alguns dias depois, apresenta uma complicação que está entre os riscos possíveis do procedimento.
O paciente precisa retornar ao hospital e, posteriormente, afirma que "o médico errou durante a cirurgia".
O profissional tem certeza de que a cirurgia foi realizada adequadamente.
Mas surge uma pergunta:
Se houver um prontuário completo, poderá ser possível reconstruir a situação.
A documentação poderá demonstrar, por exemplo:
Agora imagine o cenário contrário.
O médico realmente realizou o procedimento de forma adequada, mas o prontuário possui poucas informações.
Não há registro detalhado da evolução.
As orientações não foram documentadas adequadamente.
Alguns documentos não estão disponíveis.
O médico continua afirmando que agiu corretamente.
Mas a capacidade de demonstrar documentalmente essa versão pode ser consideravelmente menor.
É justamente por isso que o prontuário pode ser uma ferramenta fundamental para provar que o resultado desfavorável não decorreu de erro médico.
Essa é uma situação que merece atenção.
Se você percebe que o prontuário relacionado ao caso possui informações incompletas, não tente resolver o problema sozinho alterando registros antigos.
Primeiro, procure um Advogado Especialista em Negligência e Erro Médico.
O profissional poderá analisar a situação e verificar:
Uma deficiência documental não significa automaticamente que houve erro médico.
Mas também não deve ser ignorada.
Ela precisa ser analisada juridicamente.
Se você está sendo acusado de erro médico, não precisa simplesmente entregar uma pilha de documentos ao advogado sem qualquer organização.
Se possível, reúna todo o material relacionado ao caso.
Comece pelo primeiro atendimento e avance até o último registro relacionado ao episódio.
Anote, separadamente, as datas de:
Além do prontuário, separe exames, laudos, prescrições, termos e demais registros relacionados ao atendimento.
Esse ponto é fundamental.
O advogado precisa conhecer o caso completo.
Um documento aparentemente desfavorável pode, quando analisado no contexto geral, ter outra interpretação.
Além disso, a tentativa de ocultar documentos pode gerar consequências muito mais graves.
Se você é médico, quero deixar uma orientação especialmente importante: Não espere uma acusação para começar a valorizar o prontuário.
A documentação adequada deve fazer parte da rotina profissional.
Quando surge uma acusação de erro médico, entretanto, essa preocupação se torna ainda mais urgente.
O prontuário pode ajudar a demonstrar que determinada decisão foi tomada, que determinado exame foi analisado, que determinada orientação foi fornecida ou que determinada intercorrência foi devidamente acompanhada.
Mas, para que esse documento seja utilizado corretamente na defesa, é importante compreender o que ele demonstra, quais são seus limites e como deve ser apresentado.
É justamente por isso que a orientação de um advogado especializado em Direito Médico é tão importante.
O médico domina a ciência médica e conhece a realidade do atendimento.
O Advogado Especialista em Negligência e Erro Médico conhece os caminhos jurídicos para transformar os fatos e documentos disponíveis em uma estratégia de defesa adequada.
E por falar em documentos...
Esse cuidado é fundamental porque o prontuário, embora seja uma das principais fontes de informação sobre a assistência prestada, nem sempre consegue, sozinho, demonstrar todos os aspectos relevantes do caso.
Em uma discussão sobre responsabilidade médica, precisamos reconstruir a história clínica de maneira completa.
Imagine que o paciente tenha apresentado uma complicação depois de determinado procedimento.
O paciente afirma: "Se o médico tivesse identificado o problema antes, isso não teria acontecido."
Como saber se essa afirmação é verdadeira?
Será necessário analisar os exames disponíveis, as datas em que foram realizados, seus respectivos resultados, os sintomas apresentados pelo paciente, as informações disponíveis ao médico naquele momento e a conduta que foi adotada.
É por isso que os exames e laudos podem ser tão importantes.
Eles ajudam a responder perguntas como:
Perceba que estamos deixando de analisar apenas o resultado final e passando a analisar todo o processo de atendimento.
Essa é uma das principais premissas para compreender como provar que não houve erro médico.
Não existe uma lista única aplicável a todos os casos.
A documentação necessária dependerá da natureza da acusação, do procedimento realizado e da evolução clínica do paciente.
Entretanto, alguns documentos podem ser especialmente relevantes.
Dependendo do caso, exames de sangue, urina, marcadores específicos e outros exames laboratoriais podem demonstrar as condições clínicas apresentadas pelo paciente em determinado momento.
É importante preservar não apenas o resultado final, mas também a data do exame e, quando disponível, o histórico de resultados.
A comparação entre exames pode ajudar a demonstrar a evolução do quadro.
Exames como:
podem ser extremamente importantes em determinadas discussões.
Dependendo do caso, não basta possuir apenas o laudo.
As próprias imagens podem ser relevantes para uma futura análise técnica.
Por isso, o médico deve conversar com seu advogado sobre a necessidade de preservar tanto o laudo quanto o exame em sua forma original, quando disponível.
Os laudos podem ajudar a demonstrar quais conclusões técnicas estavam disponíveis em determinado momento.
Imagine, por exemplo, que o paciente alegue que o médico ignorou determinada alteração.
Será necessário verificar:
Essas perguntas não podem ser respondidas apenas com base na narrativa posterior do paciente.
É necessário analisar os documentos.
As prescrições também podem ser importantes para demonstrar:
Dependendo da acusação, esses documentos podem ser essenciais para verificar se houve ou não uma suposta falha na prescrição.
Relatórios médicos e documentos de alta podem ajudar a demonstrar a situação clínica do paciente no momento em que determinada etapa do atendimento foi encerrada.
Também podem indicar orientações, encaminhamentos e recomendações para continuidade do tratamento.
Os termos de consentimento também podem ser relevantes, especialmente em procedimentos que envolvem riscos conhecidos.
Eles podem ajudar a demonstrar que determinadas informações foram apresentadas ao paciente.
Mas é importante fazer uma ressalva: O termo de consentimento não significa que o médico esteja automaticamente isento de responsabilidade.
A existência do documento deve ser analisada juntamente com a conduta efetivamente adotada, o prontuário, os exames e os demais elementos do caso.
Se o atendimento ocorreu em hospital ou clínica, podem existir outros documentos importantes, como:
Esses documentos podem ajudar a reconstruir a sequência dos acontecimentos.
Não adianta simplesmente colocar dezenas de arquivos em uma pasta e encaminhar tudo ao Advogado Especialista em Negligência e Erro Médico.
É muito mais útil organizar a documentação de maneira cronológica.
Comece pelo primeiro atendimento relacionado ao caso.
Depois, organize:
Essa organização facilita muito a compreensão da evolução clínica.
Imagine que o paciente tenha realizado três exames antes de uma cirurgia.
Não basta simplesmente enviar os três arquivos.
É importante identificar:
Exame realizado em determinada data → resultado → decisão médica tomada posteriormente.
Essa sequência pode ser fundamental para demonstrar que a conduta adotada estava relacionada às informações disponíveis naquele momento.
Essa é uma situação bastante comum e merece atenção.
O médico pode perceber que não possui determinado exame, que um laudo não está disponível, que algum documento está armazenado no hospital ou que parte do histórico clínico está com outro profissional ou instituição.
A primeira orientação é: Não entre em pânico e não tente criar o documento que está faltando.
A ausência de determinado documento não significa automaticamente que houve erro médico.
Mas também não deve ser ignorada.
É necessário descobrir onde o documento está, se ele existe e como pode ser obtido legalmente.
Vamos imaginar uma situação.
Um médico é acusado de ter realizado um diagnóstico tardio.
O paciente afirma que o médico deveria ter identificado determinada doença durante a primeira consulta.
O médico lembra que solicitou exames e que, naquele momento, não havia elementos suficientes para confirmar o diagnóstico.
Mas surge um problema:
O médico possui o prontuário, porém o resultado de um dos exames não está disponível em seus arquivos.
O que fazer?
O primeiro passo não é simplesmente afirmar: "Eu pedi o exame."
É necessário tentar reconstruir documentalmente o atendimento.
O Advogado Especialista em Negligência e Erro Médico poderá orientar o médico a verificar onde o exame foi realizado, solicitar a documentação disponível e analisar:
Imagine que o exame demonstre que, naquela primeira consulta, não havia sinais suficientes para confirmar o diagnóstico posteriormente estabelecido.
Essa informação pode ser extremamente relevante para a defesa.
Agora imagine o cenário contrário: o exame apontava uma alteração importante e o médico tinha conhecimento dela.
Nesse caso, a análise jurídica e técnica será diferente.
É exatamente por isso que precisamos reunir os documentos antes de tirar conclusões.
Sempre que possível e juridicamente cabível, não se limite ao documento resumido.
Dependendo do tipo de exame, pode ser importante preservar:
Isso pode ser particularmente importante em casos que envolvem diagnóstico por imagem ou discussões técnicas complexas.
Uma futura perícia pode precisar analisar não apenas a conclusão escrita no laudo, mas também o material que serviu de base para aquela conclusão.
Próximo passo...
Esse passo é especialmente relevante porque, em uma acusação de erro médico, muitas vezes a análise é feita olhando apenas para o resultado final.
O paciente teve uma complicação e pergunta: "Por que o médico não fez outra coisa?"
O problema é que essa pergunta, feita depois que o resultado já aconteceu, pode ignorar completamente as informações que estavam disponíveis ao médico no momento da decisão.
Por isso, quando queremos demonstrar que não houve erro médico, precisamos reconstruir o processo de decisão.
Imagine que um paciente tenha sido submetido a determinado tratamento e, posteriormente, não tenha apresentado a evolução esperada.
Depois do resultado desfavorável, alguém pode afirmar: "Deveria ter sido utilizado outro tratamento."
Mas será que essa alternativa era realmente a mais indicada naquele momento?
Essa é a questão.
A medicina envolve decisões clínicas que são tomadas com base nas informações disponíveis em determinado momento.
O médico pode avaliar diferentes possibilidades e escolher aquela que considera mais adequada diante das condições clínicas, dos riscos, dos benefícios, das contraindicações e das características individuais do paciente.
Portanto, a defesa não deve analisar a decisão apenas com base no que aconteceu posteriormente.
É necessário compreender o cenário existente no momento em que a decisão foi tomada.
Esse é um dos pontos que considero mais importantes para o médico compreender.
Imagine que determinado tratamento tenha sido escolhido porque apresentava uma relação de riscos e benefícios considerada adequada para aquele paciente.
Depois, o paciente apresentou uma complicação.
O fato de ter ocorrido uma complicação não significa automaticamente que outra alternativa teria evitado o resultado.
É necessário investigar.
Talvez a alternativa indicada pelo paciente também apresentasse riscos.
Talvez fosse contraindicada.
Talvez tivesse menor eficácia naquele contexto.
Talvez não estivesse disponível.
Talvez exigisse condições clínicas que o paciente não apresentava.
Talvez fosse uma alternativa possível, mas não necessariamente superior.
Por isso, não podemos avaliar uma decisão médica apenas olhando para o resultado posterior.
Não significa que o médico precise provar que considerou todas as possibilidades existentes na Medicina.
Também não significa que toda decisão clínica precise resultar em um documento descrevendo todas as alternativas imagináveis.
O objetivo é demonstrar, quando relevante para o caso, como a decisão foi tomada e quais fatores clínicos justificaram a conduta escolhida.
Dependendo da situação, podem ser analisados:
A análise será sempre individualizada.
A resposta depende do caso concreto.
Não existe uma lista universal de alternativas que todo médico precisa documentar.
Entretanto, podemos dividir a análise em algumas categorias.
Em determinadas situações, pode existir uma opção de intervenção imediata e outra de acompanhamento ou tratamento conservador.
A defesa poderá precisar demonstrar por que determinada abordagem foi considerada mais adequada para aquele paciente.
Em algumas situações, existem alternativas cirúrgicas e não cirúrgicas.
Será necessário avaliar:
Quando existe acusação relacionada à escolha de determinado medicamento, pode ser importante analisar quais alternativas estavam disponíveis e por que a medicação escolhida era adequada.
Podem ser relevantes:
Em determinadas situações, a observação e o acompanhamento podem ser uma alternativa clinicamente adequada.
Nesse caso, a documentação deve permitir compreender por que o acompanhamento foi escolhido e quais sinais justificariam eventual mudança de conduta.
Também pode ser relevante demonstrar por que o paciente foi encaminhado para outro especialista, hospital ou serviço.
O encaminhamento pode, inclusive, ser um elemento importante para demonstrar que o médico reconheceu a necessidade de avaliação complementar e tomou providências adequadas.
Essa é uma questão essencial.
Não adianta o médico, depois de receber uma acusação, simplesmente escrever:
"Eu avaliei todas as alternativas."
É necessário analisar quais elementos contemporâneos ao atendimento podem demonstrar o processo de decisão.
O prontuário pode registrar:
Quando essas informações estão adequadamente documentadas, torna-se mais fácil compreender a lógica da decisão clínica.
Mas atenção: Não se deve alterar retrospectivamente o prontuário para criar uma justificativa que não existia no momento do atendimento.
Se determinada informação não foi registrada, isso deve ser analisado com o advogado e, se necessário, complementado por outros elementos legítimos de prova.
Imagine que um paciente apresente determinada condição clínica para a qual existam duas possibilidades terapêuticas razoáveis: tratamento conservador ou intervenção cirúrgica.
O médico avalia os exames, considera a idade do paciente, suas condições clínicas, histórico e riscos cirúrgicos e opta inicialmente pelo tratamento conservador.
O paciente, entretanto, não apresenta a evolução esperada.
Posteriormente, é submetido a uma cirurgia por outro profissional.
Depois disso, afirma: "O primeiro médico errou porque deveria ter indicado a cirurgia desde o início."
Será que houve erro?
Não podemos responder apenas olhando para o resultado.
Precisamos analisar:
Perceba como a análise muda completamente.
O fato de a cirurgia ter sido realizada posteriormente não significa automaticamente que ela deveria ter sido indicada na primeira consulta.
A decisão precisa ser analisada de acordo com o contexto existente quando foi tomada.
Agora imagine outra situação.
Um médico escolhe determinado medicamento para tratar o paciente.
O tratamento não produz o resultado esperado.
O paciente procura outro profissional, que utiliza outro medicamento, e apresenta melhora.
Posteriormente, o paciente acusa o primeiro médico de ter escolhido o tratamento errado.
Novamente, a pergunta não pode ser apenas: "O segundo medicamento funcionou melhor?"
Precisamos analisar:
Uma decisão médica não pode ser considerada equivocada simplesmente porque outra alternativa apresentou resultado melhor posteriormente.
Quando determinada decisão envolve uma questão clínica relevante, a documentação pode ser muito importante.
Sempre respeitando a realidade do atendimento e as normas aplicáveis ao prontuário, é recomendável que os registros permitam compreender adequadamente a situação clínica e a conduta adotada.
O objetivo não é transformar o prontuário em um tratado médico.
É registrar as informações necessárias para permitir a compreensão da assistência prestada.
Quanto mais complexa a decisão, maior pode ser a importância de uma documentação clara, objetiva e coerente.
Existem alguns cuidados importantes.
Se determinado fator não foi considerado no momento do atendimento, não tente criar uma narrativa para justificar a decisão.
Documentação retrospectivamente adulterada pode comprometer a credibilidade da defesa.
Uma avaliação técnica deve ser independente e baseada nos fatos.
O advogado precisa conhecer a realidade completa do caso.
É necessário analisar tecnicamente as circunstâncias.
Esse ponto é extremamente importante porque nem todo resultado desfavorável decorre da atuação do médico.
O paciente possui uma condição clínica própria, um histórico de saúde, características biológicas e comportamentais e, em determinadas situações, pode não seguir as orientações recebidas.
Tudo isso pode interferir na evolução de uma doença ou na resposta a determinado tratamento.
Mas é preciso ter muito cuidado com essa análise.
O objetivo não é simplesmente "colocar a culpa no paciente".
O objetivo é identificar, documentar e demonstrar tecnicamente quais fatores contribuíram para o resultado e se esses fatores possuem relação com o dano alegado.
Essa distinção é fundamental para uma defesa responsável.
Imagine que um paciente tenha realizado determinado tratamento e, posteriormente, apresentado uma complicação.
O paciente afirma: "O médico foi responsável pelo meu problema."
Mas será que o resultado ocorreu exclusivamente em razão da conduta médica?
Pode existir outra explicação.
Talvez o paciente já apresentasse uma doença preexistente.
Talvez houvesse uma condição clínica que aumentasse o risco do procedimento.
Talvez o organismo tivesse uma resposta individual ao tratamento.
Talvez o paciente não tenha seguido determinada orientação.
Talvez tenha interrompido o tratamento.
Talvez tenha utilizado outro medicamento sem comunicar ao médico.
Talvez tenha demorado para procurar atendimento após o surgimento de sintomas.
Essas circunstâncias não significam automaticamente que o médico não tenha qualquer responsabilidade.
O que elas significam é que precisam ser investigadas para que seja possível identificar a verdadeira causa ou os fatores que contribuíram para o resultado.
Cada caso precisa ser analisado individualmente.
Entretanto, existem alguns fatores que frequentemente precisam ser investigados em uma discussão sobre responsabilidade médica.
Uma das primeiras questões que devem ser analisadas é o histórico clínico do paciente.
Doenças preexistentes podem influenciar:
Por isso, é importante verificar quais condições o paciente apresentava antes do atendimento questionado.
Imagine que um paciente seja submetido a um procedimento e apresente uma complicação relacionada a uma condição que já existia antes da intervenção.
Nesse caso, será necessário investigar se:
Perceba que não basta afirmar: "O problema já existia."
É necessário demonstrar documental e tecnicamente qual era a condição, como ela interferiu no caso e qual foi a atuação médica diante dela.
Além da doença principal que levou o paciente ao atendimento, é importante verificar a existência de comorbidades.
Dependendo do caso, podem ser relevantes condições como:
Isso não significa que uma comorbidade seja automaticamente responsável pelo resultado.
Ela deve ser analisada dentro do contexto clínico específico.
Por exemplo, uma determinada condição pode aumentar o risco de uma complicação, mas isso não significa que qualquer complicação ocorrida seja atribuída à doença preexistente.
É necessária uma avaliação técnica.
Outro fator que pode ser importante é o histórico terapêutico do paciente.
Pergunte:
Essas informações podem ajudar a compreender por que determinada conduta foi escolhida.
Esse é outro aspecto que pode ser relevante em determinados casos.
O paciente pode utilizar medicamentos por conta própria ou estar sendo acompanhado por outros profissionais.
Se o médico não tiver conhecimento de determinada medicação, pode não ter todas as informações necessárias para avaliar uma possível interação ou risco.
Por isso, os registros de anamnese e as informações fornecidas pelo paciente podem assumir importância.
Mas atenção: Não basta o médico afirmar posteriormente que o paciente não informou determinado medicamento.
É necessário verificar se essa informação consta da documentação ou pode ser demonstrada por outros meios.
A automedicação também pode interferir na evolução de determinados quadros.
O paciente pode utilizar:
Dependendo do caso, isso pode ser relevante para compreender determinado resultado.
Mais uma vez, porém, é necessária cautela.
A defesa não deve simplesmente afirmar:
"Foi culpa do paciente porque ele tomou um medicamento."
É preciso demonstrar:
Essas são perguntas que precisam ser analisadas tecnicamente.
Esse é um dos fatores que podem assumir importância em determinadas situações.
Imagine que o médico tenha orientado o paciente a:
Se o paciente não segue uma orientação relevante, isso pode interferir na evolução do quadro.
Mas existe uma diferença importante entre existir uma orientação médica e conseguir demonstrar que ela foi efetivamente fornecida.
Por isso, a documentação é novamente essencial.
O ideal é que as orientações relevantes estejam adequadamente documentadas nos registros do atendimento, conforme as circunstâncias.
Dependendo do caso, podem existir:
Isso permite demonstrar que determinada orientação fazia parte do plano de tratamento.
Outro fator que pode precisar ser analisado é a interrupção do acompanhamento.
Imagine que o médico tenha iniciado determinado tratamento e orientado o paciente a retornar para avaliação.
O paciente não retorna.
Meses depois, apresenta agravamento da doença e afirma que o tratamento inicialmente realizado foi inadequado.
Nesse caso, será necessário analisar:
Não se deve presumir automaticamente que a ausência do paciente afasta qualquer responsabilidade médica.
É preciso analisar o caso concreto.
Esse fator também pode ser relevante.
Existem situações em que determinados sintomas exigem avaliação médica rápida.
Se o paciente demora dias ou semanas para procurar atendimento após o surgimento de sintomas importantes, a evolução da doença pode ser diferente.
Em uma eventual discussão sobre erro médico, será necessário verificar:
Essa análise pode ser importante para o estudo do nexo causal.
Outro ponto que não pode ser ignorado é que cada paciente pode responder de maneira diferente a determinado tratamento ou procedimento.
Mesmo quando o tratamento é indicado e realizado corretamente, podem existir respostas individuais inesperadas.
Isso pode ocorrer em razão de características biológicas, condições clínicas, predisposições ou outros fatores.
Mas cuidado:
A simples afirmação de que "cada organismo reage de uma forma" não é suficiente para afastar responsabilidade.
É necessário verificar tecnicamente o que ocorreu.
Dependendo do tratamento, determinados hábitos podem influenciar a evolução.
Podem ser relevantes, conforme o caso:
Novamente, esses fatores precisam ser analisados com cautela e somente quando possuírem relação concreta com o caso.
Não se deve utilizar características pessoais do paciente como justificativa genérica para afastar uma possível responsabilidade profissional.
Vamos imaginar uma cirurgia realizada adequadamente.
Antes da alta, o paciente recebe orientações sobre cuidados pós-operatórios, restrições de determinadas atividades e necessidade de retorno.
Essas orientações são registradas.
O paciente, entretanto, retorna às atividades físicas antes do período recomendado.
Dias depois, apresenta uma complicação e afirma que o problema ocorreu porque o médico "fez algo errado na cirurgia".
Como analisar essa situação?
Primeiro, precisamos verificar o prontuário.
Depois, os documentos de alta.
Também precisamos verificar quais orientações foram fornecidas e se existe documentação que demonstre isso.
Em seguida, será necessário analisar tecnicamente se a conduta adotada pelo paciente poderia ter contribuído para a complicação.
Somente depois será possível avaliar juridicamente o nexo causal.
Perceba que não basta o médico dizer: "Eu avisei o paciente."
É muito mais consistente quando existem documentos que demonstram a orientação e elementos técnicos que expliquem sua relevância para o resultado.
Essa pergunta precisa ser tratada com muito cuidado.
Não é correto transformar automaticamente qualquer comportamento do paciente em argumento para afastar a responsabilidade médica.
O que precisa ser analisado é se determinado comportamento ou condição do paciente teve efetiva relevância causal para o resultado discutido.
Por exemplo, o fato de o paciente ter uma doença preexistente não significa automaticamente que o médico não tenha responsabilidade.
Da mesma forma, o fato de o paciente não seguir uma orientação não significa automaticamente que toda a responsabilidade seja dele.
É preciso avaliar:
Se você é médico, a documentação começa no próprio atendimento.
Quando determinada informação for clinicamente relevante, ela deve ser registrada adequadamente no prontuário.
Podem ser importantes registros relacionados a:
Doenças, tratamentos anteriores e condições relevantes.
Medicamentos utilizados pelo paciente e informações relevantes fornecidas durante a anamnese.
Cuidados necessários, restrições, retorno e sinais de alerta.
Alterações no quadro clínico e resposta ao tratamento.
Retornos realizados ou ausência de acompanhamento, quando isso for relevante e devidamente documentável.
Sintomas ou eventos comunicados pelo paciente e providências adotadas.
Quanto mais relevante for a informação para a decisão clínica, maior é a importância de uma documentação clara e adequada.
Uma boa defesa não procura simplesmente apontar um culpado pelo resultado.
Ela procura demonstrar, com fatos, documentos e elementos técnicos, o que realmente aconteceu e quais fatores efetivamente contribuíram para a evolução do paciente.
E aqui quero fazer uma distinção muito importante para você, médico.
O fato de o paciente ter sofrido um dano, uma complicação ou um resultado diferente do esperado não significa, automaticamente, que esse resultado tenha sido causado pela sua conduta.
É justamente essa relação que precisa ser investigada.
O nexo causal é, em linhas gerais, a relação entre uma determinada conduta e o resultado danoso que está sendo discutido.
Imagine a seguinte situação:
O paciente foi submetido a uma cirurgia e, posteriormente, apresentou uma complicação.
O paciente afirma: "A cirurgia causou meu problema."
Mas essa conclusão não pode ser presumida simplesmente porque os dois acontecimentos ocorreram em sequência.
É necessário investigar:
Essa investigação é fundamental.
Esse é um conceito que o médico precisa compreender.
Um paciente pode sofrer um dano mesmo quando o atendimento foi adequado.
Isso pode acontecer, por exemplo, em razão de:
Portanto: Dano não significa automaticamente erro médico.
Para uma responsabilização por erro médico, será necessário analisar, entre outros elementos juridicamente relevantes, a conduta profissional, o dano e o nexo causal, além do elemento subjetivo quando exigível no caso concreto.
Porque pode existir uma situação em que o médico tenha realizado determinada conduta e, posteriormente, o paciente tenha sofrido um dano, mas a conduta não tenha sido a causa daquele resultado.
Imagine que um paciente tenha uma doença grave e progressiva.
O médico realiza o tratamento indicado.
Mesmo assim, a doença evolui.
O paciente afirma que o tratamento "não funcionou" e responsabiliza o profissional.
A pergunta jurídica e técnica será: O agravamento ocorreu porque o médico adotou uma conduta inadequada ou porque a própria doença apresentava uma evolução que poderia ocorrer mesmo diante do tratamento correto?
Essa resposta não pode ser construída por mera impressão.
Ela precisa ser analisada com base nos documentos e, quando necessário, em elementos técnicos e periciais.
A análise deve ser individualizada, mas alguns pontos são especialmente importantes.
Primeiro, precisamos saber qual é a acusação.
O paciente está afirmando que houve:
Sem identificar precisamente a conduta questionada, fica muito difícil analisar o nexo causal.
Também precisamos definir exatamente qual é o dano.
Não basta dizer: "O paciente ficou pior".
É necessário identificar o que efetivamente ocorreu.
Pode ser alegado, conforme o caso:
A natureza do dano é importante porque a análise causal dependerá do resultado que está sendo atribuído à conduta médica.
A cronologia é fundamental.
Precisamos saber:
Essa sequência pode ajudar a compreender a relação entre os acontecimentos.
Mas atenção: O simples fato de um dano ter ocorrido depois da conduta não prova que ele foi causado por ela.
A sucessão temporal é apenas um dos elementos que precisam ser analisados.
Essa é uma pergunta muito importante.
Imagine que o paciente possua uma doença que naturalmente apresenta determinado risco de complicação.
Mesmo que o tratamento tenha sido corretamente realizado, a complicação poderia ocorrer?
Se a resposta for tecnicamente positiva, será necessário investigar se existe efetivamente relação causal entre a conduta do médico e o resultado.
Esse tipo de análise pode ser especialmente relevante em casos envolvendo doenças graves, procedimentos de risco e complicações reconhecidas.
Também é necessário investigar se existiam outros fatores capazes de explicar o resultado.
Por exemplo:
Isso não significa que a existência de uma causa alternativa automaticamente exclua a responsabilidade médica.
É preciso determinar qual foi a contribuição efetiva de cada fator para o resultado.
Esse ponto pode ser decisivo em determinadas situações.
Imagine que o paciente procure o médico apresentando determinada alteração.
Depois, acusa o profissional de ter causado aquela mesma alteração.
Será necessário verificar exames anteriores, prontuários, relatórios e histórico clínico.
Talvez o problema já existisse.
Nesse caso, o médico não teria causado uma condição que já estava presente antes da sua atuação.
Mas, novamente, a análise precisa ser feita com cuidado.
É possível, por exemplo, que uma condição preexistente tenha sido agravada posteriormente.
Por isso, a cronologia é tão importante.
Algumas doenças possuem evolução própria.
Mesmo com tratamento adequado, podem apresentar:
Se o paciente apresentou uma evolução compatível com a própria doença, isso precisa ser considerado na análise do nexo causal.
Não se deve confundir resultado desfavorável com resultado provocado por erro médico.
Procedimentos médicos podem apresentar riscos conhecidos.
Isso não significa que qualquer complicação seja automaticamente aceitável ou que o médico jamais possa ser responsabilizado.
O que precisamos analisar é:
A complicação ocorreu apesar da adoção de uma conduta tecnicamente adequada?
ou
A complicação ocorreu porque houve uma falha na assistência?
Essa é uma diferença fundamental.
Imagine que um paciente tenha realizado uma cirurgia.
O procedimento foi realizado de acordo com a técnica indicada, o paciente recebeu os cuidados necessários e recebeu orientações pós-operatórias.
Alguns dias depois, surgiu uma complicação que está descrita como possível naquele tipo de procedimento.
O paciente afirma: "Se o médico tivesse feito a cirurgia corretamente, isso não teria acontecido."
Como analisar?
Precisamos verificar:
Se a análise técnica demonstrar que a complicação poderia ocorrer mesmo diante de uma cirurgia corretamente executada, isso pode ser relevante para afastar a relação causal entre uma suposta falha médica e o dano.
Sim. Em muitos casos de responsabilidade médica, a prova técnica pode assumir papel central.
O perito poderá analisar questões médicas relacionadas ao atendimento, aos exames, à evolução clínica e à relação entre a conduta e o dano alegado.
Por isso, o advogado precisa identificar desde cedo quais pontos exigem esclarecimento técnico.
Uma defesa bem estruturada não deve simplesmente afirmar: "Não houve erro."
Ela precisa apresentar elementos que permitam demonstrar tecnicamente por que determinada conclusão não é adequada.
Se você é médico e está sendo acusado de erro, faça uma pergunta fundamental: "Qual é a prova de que a minha conduta causou o dano alegado?"
Depois, divida a análise:
Essas perguntas ajudam a evitar uma conclusão precipitada baseada simplesmente na sequência temporal dos acontecimentos.
Não basta dizer que você fez o procedimento corretamente.
É necessário demonstrar o que aconteceu, quando aconteceu, quais fatores estavam presentes e se existe efetivamente uma relação entre a conduta médica e o dano alegado.
Nesse processo, contar com um advogado especializado em Direito Médico pode ser decisivo para organizar a defesa, identificar as questões jurídicas relevantes e avaliar, junto aos profissionais técnicos necessários, quais provas podem demonstrar a inexistência do nexo causal.
Em uma acusação de erro médico, a pergunta não deve ser apenas "o paciente sofreu um dano?".
A pergunta fundamental é: "qual é a relação comprovada entre esse dano e a conduta médica que está sendo questionada?"
É justamente nesse momento que você precisa ter cautela.
Depois de uma acusação, qualquer conversa com o paciente pode adquirir importância jurídica, especialmente se já existe ameaça de processo, notificação extrajudicial, reclamação administrativa, denúncia ou qualquer outra iniciativa formal.
Quando surge uma acusação de erro médico, o médico geralmente quer explicar sua versão.
O problema é que uma conversa informal pode ser interpretada posteriormente de maneira completamente diferente daquela pretendida pelo profissional.
Uma frase dita em um momento de preocupação, por exemplo: "Talvez eu pudesse ter feito diferente."
pode posteriormente ser apresentada como uma suposta admissão de falha.
Da mesma forma, uma tentativa de tranquilizar o paciente:
"Fique tranquilo, isso não foi causado pelo procedimento."
pode ser interpretada como uma afirmação técnica que, posteriormente, será confrontada com outros elementos.
Por isso, não é recomendável improvisar uma defesa durante uma conversa emocional com o paciente.
O ideal é que o médico compreenda primeiro o que está sendo alegado e receba orientação jurídica sobre como proceder.
Não.
Essa conclusão seria equivocada.
Se ainda existe uma relação médico-paciente e o paciente necessita de assistência, o médico deve observar seus deveres profissionais e as normas éticas aplicáveis.
O ponto é outro.
Depois que surge uma acusação, a comunicação precisa ser ainda mais cuidadosa.
O médico não deve transformar uma consulta em uma discussão jurídica.
Também não deve tentar obter do paciente uma declaração favorável, pressioná-lo para retirar uma reclamação ou discutir eventual processo durante o atendimento.
A assistência deve continuar sendo prestada dentro dos limites éticos, técnicos e jurídicos aplicáveis.
A discussão sobre responsabilidade deve ser tratada adequadamente, com orientação profissional.
Não existe uma frase universalmente proibida para todas as situações.
Mas existem comportamentos que podem aumentar riscos desnecessariamente.
Imagine que o paciente diga: "Você errou durante a cirurgia."
E o médico, tentando ser cordial, responda: "Talvez eu tenha errado mesmo."
Essa frase pode parecer apenas uma manifestação emocional.
Mas, dependendo do contexto, pode ser utilizada posteriormente para sustentar uma alegação de reconhecimento de falha.
Por isso, se existe uma acusação formal ou potencialmente litigiosa, não faça avaliações precipitadas sobre sua própria responsabilidade.
Primeiro analise os fatos.
Uma conversa com o paciente não deve se transformar em uma discussão.
Frases como:
"Isso aconteceu porque você não seguiu minhas orientações."
ou:
"A culpa foi do hospital."
ou:
"O outro médico fez tudo errado."
podem criar novos problemas.
Se existem fatores relacionados ao paciente, à instituição ou a outros profissionais, eles devem ser analisados documental e tecnicamente.
Não é recomendável transformar uma conversa emocional em uma tentativa improvisada de atribuição de responsabilidade.
Esse é um ponto muito importante.
Depois da acusação, o médico pode pensar: "Vou explicar tudo para ele e resolver a situação."
Pode parecer uma solução simples.
Mas a situação pode ser muito mais complexa.
O paciente pode já ter consultado outro profissional, advogado, seguradora, hospital ou até mesmo iniciado algum procedimento administrativo.
Uma conversa aparentemente informal pode acabar sendo registrada, reproduzida ou interpretada posteriormente no contexto de uma disputa.
Por isso, antes de tentar convencer o paciente de que não houve erro médico, procure orientação.
Imagine que um médico realize determinado procedimento.
Alguns dias depois, o paciente retorna apresentando uma complicação.
O paciente pergunta: "Doutor, isso aconteceu porque alguma coisa deu errado na cirurgia?"
O médico, preocupado, responde: "Eu não esperava que isso acontecesse. Talvez alguma coisa pudesse ter sido diferente."
Dias depois, o paciente envia uma mensagem dizendo: "Como o senhor mesmo reconheceu, alguma coisa poderia ter sido diferente."
Perceba o problema.
A frase original pode ter sido uma tentativa de demonstrar empatia e preocupação.
Mas, fora do contexto, pode assumir outro significado.
Isso não significa que uma frase isolada determine a responsabilidade do médico.
Significa apenas que comunicações feitas após uma acusação podem se tornar elementos de uma futura discussão.
Por isso, é melhor agir com cautela.
Mantenha a postura profissional.
Não responda no mesmo tom.
Não faça ameaças.
Não discuta.
Não tente intimidar o paciente.
E, principalmente, não destrua, apague ou altere qualquer documento relacionado ao atendimento.
Se houver uma acusação formal, explique de maneira respeitosa que a situação será adequadamente analisada.
Depois, procure orientação jurídica.
Não existe uma resposta única para todos os casos.
A comunicação deverá depender de fatores como:
Por isso, o conteúdo da comunicação deve ser individualizado.
Em determinadas situações, uma comunicação simples, profissional e centrada na assistência pode ser adequada.
Em outras, especialmente quando já existe conflito jurídico instalado, pode ser recomendável que o médico receba orientação antes de responder determinadas questões.
Dependendo das circunstâncias, comunicações entre as partes podem acabar sendo apresentadas em uma disputa.
Por isso, é prudente partir da seguinte premissa: Toda comunicação relacionada a uma acusação pode se tornar relevante posteriormente.
Isso não significa que o médico deva parar de se comunicar.
Significa que deve se comunicar de maneira profissional, cuidadosa e coerente com a situação.
A regra mais segura é: Mantenha a comunicação profissional, objetiva, respeitosa e compatível com seus deveres assistenciais.
Evite:
Se a conversa ultrapassar a assistência e entrar claramente na discussão de responsabilidade, procure orientação do seu Advogado.
Imagine que o paciente entre no consultório e diga: "Meu advogado disse que você cometeu um erro e vou processar você."
O médico pode ficar nervoso e responder: "Você pode me processar, mas eu não errei. Na verdade, foi você que não seguiu as orientações."
Essa resposta pode transformar a consulta em um confronto.
Uma postura mais prudente seria manter a comunicação profissional, evitar discussão sobre culpa e, posteriormente, procurar orientação jurídica para lidar com a acusação.
Isso não significa ignorar o paciente.
Significa não tentar resolver uma questão jurídica complexa no calor do momento.
Esse é o ponto central deste 7º passo.
Muitos médicos acreditam que precisam falar muito para provar que estão certos.
Nem sempre.
Em uma acusação de erro médico, mais importante do que falar muito é falar de maneira adequada e preservar corretamente as provas.
A defesa será construída principalmente a partir da análise dos fatos, documentos, registros médicos, exames, elementos técnicos e demais provas pertinentes.
A conversa improvisada com o paciente não substitui essa documentação.
Se existe uma acusação de erro médico, não tente resolver sozinho uma questão que pode envolver responsabilidade civil, prova técnica, ética profissional e consequências processuais.
Procure orientação jurídica especializada e permita que o caso seja analisado com estratégia, documentação e conhecimento técnico.
Como vimos ao longo deste post, uma acusação de erro médico precisa ser analisada com cuidado, porque o simples fato de um paciente apresentar uma complicação, um resultado insatisfatório ou até mesmo um dano não significa, automaticamente, que houve erro médico.
Para saber como provar que não houve erro médico, é necessário reconstruir toda a história do atendimento e analisar, de maneira técnica e jurídica, o que realmente aconteceu.
Felizmente, agora você já sabe Como provar que não houve Erro Médico.
Como Advogados Especialistas em Negligência e Erro Médico, só aqui nós mostramos:
1º Passo: Buscar o auxílio de Advogados Especialistas
2º Passo: Preservar imediatamente o Prontuário Médico
3º Passo: Reúna exames, laudos e demais documentos relacionados ao caso
4º Passo: Demonstre quais alternativas foram avaliadas
5º Passo: Verifique se existiam fatores relacionados exclusivamente ao paciente
6º Passo: Avalie se existe nexo causal entre a conduta e o dano
7º Passo: Tenha cuidado ao conversar diretamente com o paciente após a acusação
Se você é médico e está sendo acusado de erro médico, não espere que a situação se resolva sozinha e não tente construir sua defesa apenas com base no conhecimento médico.
A análise jurídica deve começar o quanto antes.
Leia também:
Para provar que não houve erro médico, é preciso demonstrar, com provas e de forma organizada, o que realmente aconteceu, e não apenas afirmar que o médico não errou.
Estamos aqui para ajudar.
Até o próximo conteúdo.
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